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Sem PPP, Jamil lamenta: "carnaval só existe com ajuda do poder público"

Foto: Izabela Pimentel / Cidadeverde.com

Há três anos sem desfilar em Teresina, as escolas de samba continuam sem perspectivas de retorno. O presidente da Liga das Escolas de Samba de Teresina e presidente da Skindô, Jamil Said, garante que já tentou de tudo, até mesmo uma PPP, "mas, aqui no Piauí, carnaval e futebol só existem com a ajuda do poder público", lamenta.

Em entrevista ao Cidadeverde.com, Jamil classificou como "chocante" a situação que as escolas de samba estão passando. "A gente faz o carnaval com tanto gosto, para acabar sendo maltratado e irem dizer que não vai ter carnaval", declarou.

Jamil ressalta que as escolas de samba de Teresina desfilaram por 71 anos na avenida e que houve um período de 7 anos sem desfiles, mas foi o próprio prefeito Firmino Filho que incentivou o retorno.

"Aí houve o problema com a prestação de contas. Eu respeito o ponto de vista do prefeito, mas ele foi radical demais. Por que ele não penaliza só quem não prestou conta? Se ele acha que as escolas não estão a contento, tira quem não está bom e deixa quem está", argumenta o presidente da Liga.

Foto: Arquivo Cidadeverde.com/ desfile de 2016 / Thiago Amaral

Várias tentativas

Jamil conta ao Cidadeverde.com que já montou vários projetos para a prefeitura, tentou convencer o secretário, falou com o prefeito, mas nada deu resultado. Ele acredita que o desânimo da população quanto ao carnaval em Teresina não estaria ocorrendo se os desfiles tivessem tido continuidade.

"Disseram que quem acabou o carnaval não foi o prefeito, foram próprias as escolas de samba. Isso não é verdade. Se o desfile tivesse tido continuidade, ele estaria melhor. Eu monto os projetos, vou falar com o secretário, mas ele não tem poder de fogo e encaminha para o prefeito. Marcamos com o prefeito, conseguimos uma reunião 3 meses depois, e ele mandou a gente de volta para o secretário. Ficamos nesse jogo", reclama.

O presidente argumenta que o carnaval movimenta o comércio, os clubes, os times de futebol e anima a população. "Se todos estivessem falando sobre isso, as empresas participariam, mas quando a gente monta um projeto, os empresários dizem que não podem patrocinar porque o prefeito não autorizou os desfiles", destaca. 

Foto: Arquivo Cidadeverde.com/ desfile de 2016 / Thiago Amaral

PPP

É justamente por isso que, segundo Jamil, a Parceria Público-Privada para o desfile das escolas de samba não deu certo. 

"Consegui até que as emissoras de televisão participassem disso, que assumissem a tarefa de conseguir patrocínio e, em troca, teriam direito a fazer a cobertura completa na arena. Na época a gente precisava de R$ 130 mil para cada escola, mas a prefeitura barrou também. E no dia que fui levar o projeto para um grande empresário daqui, o prefeito anunciou que não teria carnaval, aí não tem como o empresário fechar com a gente", explicou.

O presidente da Liga declara que, enquanto o poder público não incentivar, não tem como ter carnaval. "Esse ano, claro, não temos mais como desfilar. Continuamos a luta para o próximo ano, mas só quando o prefeito sair dará certo. Carnaval e futebol, aqui, só com a ajuda do poder público. A gente não vende fantasia, é tudo de graça. Mas já vimos que, se depender da prefeitura, não tem carnaval mesmo. Espero que o próximo prefeito goste de carnaval", espera Jamil.

Foto: Arquivo Cidadeverde.com/ desfile de 2016 / Thiago Amaral

Valores

Jamil estima que seriam necessários quase R$ 1 milhão para realizar um bom desfile de escolas de samba. Ele tem a ideia de organizar o carnaval em dois grupos, a exemplo do que acontece no Rio e em São Paulo: no primeiro grupo, as três maiores escolas desfilariam, cada uma com uma verba de R$ 180 mil, o que daria R$ 540 mil. No segundo grupo desfilariam as cinco menores escolas, com verba de R$ 90 mil cada, o que custaria mais R$ 450 mil. 

Somando os dois grupos, seriam necessários exatamente R$ 990 mil. "Se entrar um grande empresário, um grande grupo, incentivando a gente, pode dar certo, mas ainda assim, a prefeitura terá que dar algum suporte", enfatiza o presidente da Liga. 

Foto: Arquivo Cidadeverde.com/ desfile de 2016 / Thiago Amaral

Jordana Cury
jordanacury@cidadeverde.com