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Carne inspecionada: sinônimo de qualidade

Todo mundo tá cansado de saber que a alimentação é algo que temos que reservar atenção especial, pois do alimento tiramos o sustento para o nosso organismo e para reposição de perdas. A alimentação precisa ser algo balanceado, em termos de nutrientes, e o alimento deve ser preparado usando as boas práticas da gastronomia.

Um ponto que chamamos atenção é para o consumo das proteínas, representada principalmente pela dieta rica em produtos animais (com o devido perdão dos veganos!). Os animais, criados e abatidos com a finalidade de fornecer proteína para os humanos passam por um processo de criação e manejo, frutos do desenvolvimento científico, que foi moldando as boas práticas, incluindo a seleção de boas progênies (plantel genético de excelência) e desenvolvendo pesquisas na área de nutrição para conseguir animais com qualidade excepcional para consumo, ganhando-se tanto em qualidade nutricional quanto em sabor.

Dr. Ricardo Lira. Fonte: Arquivo pessoal.

A semana que passou estive conversando com o amigo e pesquisador, Dr. Ricardo Lira, que apesar de ser cientista de computação, divide seu tempo em negócios relacionados à criação, manejo, abate e beneficiamento da carne, especialmente dos segmentos da suinocultura e da ovinocaprinocultura. Nos encontramos em um evento de carnes que aconteceu em um dos shoppings de Teresina e ele estava chegando do Tocantins, onde mostrava para alguns parceiros de negócios os benefícios destas duas culturas, atreladas aos cuidados de natureza sanitária, necessários para que o consumidor final se satisfaça com o resultado do que chega até o prato.

Bodódromo em Petrolina (PE). Fonte: Blog Nossa Voz.

Conversamos longamente sobre a necessidade de que mais carne inspecionada chegue aos pontos de comercialização. Fiquei impressionado com a quantidade de vendedores que utilizam a chamada “carne verde” ou “carne da moita” (como chamamos aqui no Piauí a carne não inspecionada), no segmento da suinocultura e da ovinocaprinocultura. Muitas vezes o comerciante chega a economizar alguns centavos na venda de carne não inspecionada. O poder público não tem braços e pernas suficientes para alcançar todos os que abatem de forma clandestina e os que comercializam proteína animal com origem duvidosa. Apesar do esforço, as agências que regulam a qualidade do que chega à mesa não tem a estrutura necessária para um trabalho mais completo.

Restaurante no Bodódromo de Petrolina (PE). Fonte: Tripadvisor.

Os riscos de contaminação dos produtos não inspecionados são enormes, abrangendo praticamente todas as diferentes fases do processo. Estive lendo alguns artigos que apontam os danos causados pela falta de cuidado. Para quem come, é imperativo que se observe a procedência e a presença dos selos de inspeção.

A cultura alimentar do uso destas carnes, ajuda a manter o equilíbrio de preços das carnes bovinas, consideradas mais caras, quando comparados com ovinos, caprinos e suínos. Aqui na nossa região é frequente o uso, sobretudo dos caprinos, bastante apreciados em muitas áreas do interior do Nordeste. Em Petrolina (PE), por exemplo, a cultura estimulou que a cidade investisse em um Bodódromo, que reúne diferentes restaurantes a oferecer cardápios praticamente exclusivos na disponibilidade da carne de caprinos.

O importante é, que de acordo, com os órgãos oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021 houve um incremento considerável de consumo de carnes inspecionadas, principalmente de aves, suínos e bovinos. O volume de carne bovina alcançou 3,7% a mais no primeiro trimestre de 2021, quando comparado com o mesmo período de 2020. Já em 2022 o incremento alcançou apenas 0,5% em relação a 2021. Suínos e frangos também tiveram consumo aumentado.

Precisamos abrir o olho na hora de comprar proteína animal, optando por carnes inspecionadas. A relação custo-benefício, sem qualquer dúvida, é muito maior. A segurança alimentar não tem preço.

Boa semana para todos e todas.