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Coevolução pode explicar transmissão do Zika vírus pela muriçoca

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Desde o início do mês de Agosto circula no meio científico o burburinho de que a nossa popular muriçoca (inseto do gênero Culex) pode ser um dos vetores de transmissão do vírus da Zika. Atualmente sua transmissão é devida apenas ao Aedes aegypti que também transmite os vírus causadores da Dengue e da Febre Chikungunya.

O Zika vírus foi descoberto em 1947 como patogênico em macacos na Floresta de Zika, em Uganda, África. Sua manifestação em humanos foi relatada ainda da década de 1950 na Nigéria. Em 2015 o vírus foi identificado em pacientes brasileiros e o que mais causou preocupação foi a coincidência entre sua epidemia e o aparecimento de muitos casos de bebês nascendo com microcefalia. Os sintomas da Zika são dores musculares e articulares, conjuntivite, febre e dermatite. Embora incômoda, a doença não é considerada grave. O relacionamento com os casos de microcefalia levou as autoridades mundiais a se preocuparem muito com a expansão do vírus, em função dos efeitos devastadores da microcefalia nas crianças.

A transmissão do Zika vírus feita pelo Aedes já é muito preocupante, tendo em vista a incapacidade das autoridades em saúde brasileiras em conter o avanço deste mosquito como vetor, que tem um viés relacionado a questões ambientais, sociais e educacionais. Agora imaginem se forem confirmadas as relações entre o vírus e a nossa muriçoca?

Os parasitas (no caso aqui o vírus) estabelecem uma relação evolutiva com o hospedeiro (no caso aqui o mosquito). É necessário que existam condições proporcionadas pelo hospedeiro que favoreçam a sobrevivência do parasita. Estas condições decorrem de um longo tempo de relacionamento ou tentativas de relacionamento entre os dois. O que a pesquisa identificou foi a presença de Zika vírus em células das glândulas salivares e das paredes intestinais em três amostras de mosquitos: duas amostras de Aedes (uma de exemplares infectados e coletados em Recife e outra coletada em Fernando de Noronha) e em uma amostra de Culex. Os resultados contradizem outras pesquisas que investigavam as mesmas possibilidades. Mas seria possível esta situação (um novo vetor para o vírus) mudar com o tempo? A resposta é sim.

A capacidade de ajuste que as espécies apresentam na natureza é grande e não se direciona de modo racional (como o homem pensa ou planeja). A evolução, tanto da espécie de vírus, quanto da espécie de mosquito pode, com passar do tempo, convergir para o mesmo ponto. O que pode acontecer é que, de repente, condições orgânicas do mosquito, enquanto hospedeiro, favoreçam a sobrevivência do vírus em seu organismo. Só o tempo será capaz de dizer isto. Este fenômeno se chama Coevolução.

Seria terrível se as muriçocas se juntassem aos Aedes na disseminação de mais este agente patogênico. Em tempo: nas regiões tropicais as muriçocas transmitem o verme responsável pela Elefantíase.

Se quiser ler o artigo clique em https://www.nature.com/emi/journal/v6/n8/pdf/emi201759a.pdf