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Bananeiras geneticamente modificadas podem ficar livres do Mal do Panamá

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Um dos grandes problemas da cultura de bananas é o fato delas produzirem frutos partenocárpicos. Diferente das outras plantas, o fruto da bananeira não é resultado de um processo de reprodução sexuada. Por isso as bananas não possuem sementes.

Mas o que é considerado por muitos uma virtude tornou-se um problema frente à seleção natural. As bananeiras não se reproduzem sexuadamente, por isso são indivíduos clonais. A falta de reprodução sexuada gerou uma redução de variabilidade genética, um prato cheio para o processo de seleção natural: bananeiras são vitimadas por doenças causadas por fungos como o Mal do Panamá e o Mal de Sigatoka. São doenças diferentes causadas por fungos diferentes, mas ambas são devastadoras. O Mal do Panamá é causado por fungos do gênero Fusarium e o Mal de Sigatoka por fungos do gênero Cercospora.

Praticamente todas as regiões produtoras de bananas no mundo manejam os bananais para se livrar destas parasitoses que provocam rachaduras nos pseudocaules e o amarelecimento das folhas, determinando a morte das plantas. Mesmo com cuidados, especialmente de descontaminação dos trabalhadores, os fungos chegam a permanecer até por 20 anos contaminando o solo e resta muito pouco aos produtores quando detectam a doença de seus plantios.

Bananeiras livres

Pesquisadores australianos desenvolveram duas linhagens de bananeiras que podem evitar a contaminação com estes fungos. A primeira linha de pesquisa foi utilizando o gene RGA2. Este gene foi obtido de uma espécie de bananeira selvagem que, embora não produza frutos viáveis para comercialização, possui este gene que confere proteção natural contra os fungos que atacam os plantios. Desde a década de 1950 os produtores adotam a variedade Cavendish que agora, a partir da década de 1990, também se mostrou suscetível à ação provocada pelos fungos. Com a inserção do gene RGA2 tem-se a resistência a ação de espécies do gênero Fusarium, o que inclui a espécie denominada TR4, considerada resistente à ação de diferentes tipos de fungicida.

 

A segunda linha de pesquisa é mais ousada. Os pesquisadores introduziram nas bananeiras da linhagem Cavendish o gene Ced9 extraído de um verme nematoide (parente da lombriga) naturalmente resistente à infecção por fungos.

As experiências com estas variedades transgênicas de bananeiras não apresentaram qualquer modificação nem no tamanho dos cachos e nem nas demais propriedades nutricionais das bananas. A pesquisa agora deve se expandir para outras variedades de bananeiras diferentes da Cavendish.