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Poluição das águas do Rio Poti

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Já abordei este tema aqui falando sobre pesquisa realizada no Rio Mekong na China (https://cidadeverde.com/cienciaviva/88283/rios-para-alimentacao) e uma invenção de pesquisadores da UFPI (https://cidadeverde.com/cienciaviva/88409/invencao-de-pesquisadores-piauienses-pode-ser-solucao-para-poluicao-do-rio-poti) que pode ajudar a tratar o problema de poluição do rio Poti, em Teresina. Mas afinal, qual é a solução definitiva para o problema?

Historicamente é importante frisar que alguns dos rios mais poluídos do mundo como o Tâmisa na Inglaterra e o rio Reno, que corta a Suiça, Alemanha e a França são cases de sucesso no processo de despoluição. O rio Tâmisa teve suas águas consideradas impróprias para beber no século XVII. O planejamento para sua despoluição começou no finalzinho do século XIX, mas apenas na década de 1970 o rio começou a dar sinais de que estava limpo, com o registro de espécies de peixes sensíveis à poluição.

Similarmente, o rio Reno, que recebeu cargas de poluentes de grandes indústrias situadas nas cidades ao longo do trajeto do seu curso, especialmente da década de 1980, passou por um processo de recuperação que até 1989 tinha consumido cerca de 15 bilhões de dólares. O resultado não poderia ser melhor: atualmente são registradas 63 das 64 espécies que o rio tinha antes do seu pico de poluição que ocorreu em 1986 com o vazamento de compostos químicos da Industria suíça Sandoz.

O rio Poti sofre atualmente de um mal relacionado diretamente aos impactos da expansão urbana de Teresina sem que se acompanhassem programas de saneamento básico. Com uma cobertura de captação e tratamento de esgotos menor do que 20% das suas residências, Teresina ocupa uma posição preocupante no ranking das capitais brasileiras desprovidas de sistemas de captação e tratamento de esgotos. Apenas três estações que atuam na tarefa de dar conta do processo de tratamento de esgotos.

Conversando com um especialista descobri uma coisa que já desconfiava: mesmo o esgoto tratado de Teresina pode estar colaborando com a poluição, especialmente no Rio Poti. O professor com quem conversei me alertou de que o tempo de maturação nas lagoas de estabilização da Estação de Tratamentos de Esgoto situada na zona leste de Teresina não cumpre o protocolo necessário. Trocando em miúdos: o esgoto era para passar seis dias passa somente dois, por exemplo. Assim não há tempo suficiente para as bactérias que agem na degradação dos poluentes orgânicos terminem plenamente. O resultado disso, de acordo com o professor, uma eficiência reduzida para mais ou menos a metade do que deveria ser o tratamento.

Eu tinha certa desconfiança porque, por incrível que pareça, o fenômeno da eutrofização (adubação, em uma linguagem mais clara), que chega aos nossos olhos pelo crescimento exagerado das macrófitas aquáticas, que a imprensa convencionou chamar de “Aguapés”, tornou-se mais forte com o funcionamento da Estação de Tratamento de Esgotos. Meu empirismo se baseou no possível incremento de oferta de fosfatos e nitratos na água, adubos possantes para o desenvolvimento das plantas. Muitas espécies, dentre elas a Eichornia crassipes (o aguapé) apresentam estratégias de crescimento invejáveis. Tem-se, deste modo, todas as condições para o crescimento destas plantas: água, sol em abundância, temperaturas ideais para o metabolismo e adubo.

As imagens que coloquei no álbum não são deste ano, mas penso que o problema precisa ser melhor discutido. O professor com quem falei disse que já tentou desenvolver um trabalho científico, mas a concessionária não deu acesso ao pesquisador. Com a mudança de empresa concessionária pode ser que a situação mude.

Que em 2018 tenhamos rios mais limpos!!!