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Embargo internacional interfere no desenvolvimento científico

Aqui no Brasil reclamamos frequentemente (fiz isso no post do dia 31 de dezembro) da falta de estímulos financeiros por parte do Governo para o desenvolvimento da pesquisa científica. O Brasil é uma das nações que menos investe em Ciência, Tecnologia e Inovação.

Mas em outros países o problema, por vezes, não é o dinheiro. Nações ricas, mas pequenas e com uma forte interferência teocrática tem seu sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação tolhido por fatores totalmente díspares dos encontrado por aqui.

Me refiro aqui ao Qatar. Um pequeno país que se limita com a Arábia Saudita, no Oriente Médio, apresenta cerca de 2,5 milhões de habitantes e tem uma das maiores rendas per capita do planeta, estimada em mais ou menos 350 mil reais por ano.

Como é uma nação diminuta, com uma imensa reserva de petróleo e gás natural, responsáveis por 86% de sua pauta de exportação, a nação tem investido bilhões de dólares em pesquisa. Ultimamente, sofreu algumas restrições de seus principais aliados e vizinhos, acusado de proteger terroristas. Este embargo tem custado caro à pesquisa no país.

Considerada uma das nações que mais evoluiu em produção científica nos últimos anos, o Catar mais que duplicou suas publicações de 2013 para cá. Mas possui um corpo diminuto de pessoas atuando em pesquisa, cerca de 2000 funcionários no país todo e com poucas centenas de pesquisadores, muitos dos quais expatriados. Com o congelamento das relações diplomáticas com países como a Arábia Saudita, o Egito e o Bahrain, pesquisadores e estudantes destas nações foram convocados a abandonar o Qatar. Pesquisas nas áreas de meio ambiente, biomedicina e em áreas estratégicas para o país foram paralisadas. O congelamento também afetou a aquisição de reagentes, agora bloqueados por força do embargo.

Enquanto isso, aqui no Brasil, as universidades acomodam uma força de trabalho imensa, muitos estudantes desistem porque não existem bolsas suficientes para todos e os cortes dos órgãos de fomento estão cada vez mais vorazes.

O nosso congelamento não é diplomático. O que está congelada aqui é a capacidade de perceber que, sem investimento em educação, ciência e tecnologia, vamos esbarrar de volta na idade das trevas.