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Surto de Ebola no Congo: a corrida internacional para barrar esta doença

O mundo todo corre atrás de tentar evitar surtos cada vez mais constantes de doenças infecciosas e fatais. Enquanto aqui no Brasil enfrentamos hoje uma frente contra os efeitos devastadores do H1N1, vírus da Influenza, agente da gripe que pode ser a porta de entrada para quadros gravíssimos de infecção pulmonar que podem levar à morte rapidamente, a África Subsaariana sofre com o início de um surto de Ebola.

A República Democrática do Congo vem sendo assolada pelo que parece ser um dos mais violentos surtos de uma das mais cruéis doenças virais.

O Ebola começa com sintomas do que parece ser uma gripe: dores musculares, febre e dor de cabeça. A partir daí a garganta inflama e o paciente passa a ter vômitos e exantema (manchas avermelhadas pelo corpo inteiro). O ápice da doença vem rapidamente: de 6 a 15 dias após o início dos sintomas vem as hemorragias internas ou externas. A perda excessiva de sangue leva ao óbito. A contaminação vem a partir do contato com o sangue ou com outros fluidos corpóreos como o suor ou a saliva. Ainda não foram detectadas vias de contaminação pelo ar.

Segundo a revista Science que chega hoje (18.05) ao público, após a detecção dos dois primeiros casos de Ebola no dia 08 de maio, médicos do Programa Médicos Sem Fronteiras, iniciaram a organização de uma frente para vacinação no Congo. Os dois primeiros casos foram detectados no distrito de Bikoro, província de Equateur, um local afastado do Congo.

O Ministério da Saúde do Congo desconfia que o vírus já vem se espalhando desde abril e existem 19 mortes registradas sob a suspeita de que estes pacientes mortos vieram a óbito porque estavam contaminados com o Vírus. Existem mais de 30 casos de pacientes internados sob suspeita de que estejam com a doença, a partir da detecção dos sintomas. As autoridades do Congo planejam fazer uma vacinação utilizando uma vacina experimental que foi usada em 2015 na Guiné e que conseguiu barrar um surto da doença naquele país.

De acordo com o virologista Yap Boum o grande problema é que o vírus pode permanecer incubado por longo tempo, permitindo que pessoas contaminadas espalhem o vírus sem saber que estão com ele. Existe a suspeita de dois casos em Mbandaka, que é uma cidade portuária com 1,2 milhões de habitantes. Caso estes casos sejam confirmados o risco de que a doença ganhe uma proporção desastrosa é altíssimo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) mandou uma equipe para atuar de forma preventiva, adotando cuidados para o isolamento e manejo de pacientes e com os cuidados funerários com os pacientes que foram a óbito. A OMS foi severamente criticada por ter demorado a reagir no último surto da doença que contaminou cerca de 28 mil pacientes levando mais de 11 mil pessoas a óbito.

O vírus Ebola é um dos mais violentos que acometem humanos. Ele é típico de primatas, mas se deposita em morcegos frugívoros (que se alimentam de frutos). Apesar de ser uma doença violenta, nunca conseguiu se espalhar para muitos lugares desde que foi descoberto em 1976. Segundo os especialistas a principal causa destes surtos são as péssimas condições de saúde para as populações destes países africanos.