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Uma reflexão necessária...

 

Foi de cortar o coração. A cena: um trator robusto de aço, derrubando a última árvore do que seria um resíduo de uma floresta. O orangotango, caminha sobre o tronco da árvore caído e parte para o embate com a máquina. Esbarra, cai do tronco, logo é cercado por dois ou três homens que aparecem na cena para seu “resgate”.

Na subjetividade da nossa pequena e mesquinha vida me pus a pensar naquele primo macaco distante, em um lugar distante, a Indonésia. Brigando talvez pelo último recurso do seu habitat. Destruído pela sanha humana de usar aquele último palmo de terra.

A cena me remeteu ao centro do enredo de Avatar, aquele filme que foi um sucesso gigante de bilheteria, em 2009, no qual a história se passa numa lua extraterrestre chamada Pandora, com figuras humanoides azuladas que defendiam a todo custo o equilíbrio de seu mundo invadido por seres humanos com máquinas que buscavam explorar um recurso mineral raro, encontrado apenas naquele mundo.

Vi naquele Orangotango um habitante Na’vi de Pandora, defendendo seu território com uma desproporcionalidade absurda de forças. E confesso: fiquei entristecido!

No mundo inteiro, nós humanos, temos sido uma espécie brutalmente assassina de convivas. Temos sido a força da própria seleção, mas não de uma seleção aprimorada. Uma seleção baseada apenas em interesses absolutamente mesquinhos. Já usamos um considerável conjunto de recursos, o que limita bastante a nossa sobrevida na Terra. Não a mim ou a você que está lendo este texto. Mas as gerações futuras que também dependerão destes mesmos recursos para sobreviver e muitos não são renováreis.

Há alguns meses li o livro “A Sexta Extinção” escrito pela jornalista Elizabeth Kolbert e fiquei impressionado com os efeitos da nossa capacidade de destruir o mundo. Caminhamos para mais um processo de extinção em massa. Desta vez não é um asteroide ou meteoro que vem do espaço e causará um impacto definitivo sobre nosso planeta. O problema agora é causado por nós mesmos. É uma autodestruição!

Em 1855 um líder indígena dos EUA, Cacique Seattle mandou uma carta para o então Presidente pretendia fazer uma troca de terras e colocar os índios em uma reserva. A carta do índio tem palavras muito fortes e muito dentro da realidade em que vivemos. Pesquei um trechinho dela que diz:

“Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra. ”

É apocalíptico, mas bastante atual e verdadeiro: “Tudo quanto fere a Terra, fere também os filhos da Terra”

Entretanto, ainda se vê muita gente preocupada com os direitos dos animais, preocupados com a preservação e a conservação da natureza. Em nível mundial destaco a ação de grupos como o International Animal Recue (IAR), uma ONG preocupado com o resgate de animais em risco pela ação humana. Foram eles que filmaram o Orangotango tentando resistir. Nem foi agora. O vídeo é de 2013. Gente que investe tempo e boa parte de sua vida por causas como essa.

Nem precisa ir do outro lado do mundo para conhecer gente assim. Minha amiga Jacqueline Lustosa, vive aqui em Teresina e de vez em quando usa suas redes sociais para reclamar da falta de cuidado que os governantes tem com a natureza, com animais mais frágeis. Conheçam o perfil da Jacqueline no Facebook (https://www.facebook.com/profile.php?id=100010095373412).

Precisamos entender a Terra como um lar para todas as espécies, inclusive a nossa.

No link abaixo um vídeo com resgates feitos pela IAR na ilha de Borneo.

Um bom domingo e até a próxima...