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O mar não está pra peixe

Tá todo mundo cansado de saber que a poluição afeta muito a vida no planeta Terra e nos mares, onde a maior parte dos seres vivos habita a situação não está diferente. É o excesso de plástico, é poluição dos combustíveis fósseis lançados pela atividade de petroleiros que, com pequenos vazamentos, conseguem poluir muito do ambiente marinho, é o aquecimento global, é a acidificação dos mares, enfim, não está fácil viver nos mares também.

E qual a novidade sobre isso? A novidade é que a situação está bem pior do possamos imaginar. Em 20 de junho passado Elizabeth Preston divulgou na Revista Science uma série de pesquisas em andamento que tentam entender os efeitos de diferentes formas de poluição nos órgãos sensoriais dos peixes, o que afeta diretamente sua sobrevivência e o estabelecimento de algumas espécies, impedindo-as de completar seus ciclos de vida dentro de ambientes completamente conturbados que são os mares.

Na Universidade de Delaware, por exemplo, a pesquisadora Danielle Dixson trabalha para entender os efeitos da acidificação na vida de um peixe-palhaço. O peixe-palhaço, que ficou mais conhecido com o desenho infantil Procurando Nemo, vive próximo de recifes de corais e outros cnidários (animais marinhos que congregam além dos corais as temidas caravelas) que têm como principal característica a liberação de substâncias ácidas. O peixinho, desde pequeno, percebe onde deve procurar abrigo com sensores para detectar acidez, mas com o mar ficando mais ácido, devido ao excedente de ácido carbônico, fruto da queima de combustíveis fósseis, como peixe-palhaço passará a orientar-se? Estará esta espécie correndo riscos? A pesquisa dirá. Abaixo, uma pequena amostra de um peixe-palhaço, fazendo performance nos aquários do Oceanário de Lisboa, em Portugal.

Fonte: F.S.Santos-Filho.

Outro projeto buscando a descoberta dos efeitos dos impactos humanos sobre a biota marinha é a desenvolvida pela bióloga Jenni Stanley do Centro Nordeste de Pesquisas Pesqueiras em Massachusetts que pesquisa sobre o efeito da poluição sonora nos mares, provocado pelo vai e vem de embarcações de motores possantes e barulhentos que atua competindo com os diferentes ruídos de espécies como o bacalhau. Algumas espécies de bacalhau soltam ruídos para orientar o deslocamento dos cardumes. O barulho emitido, segundo a Dra. Stanley atua na demarcação de territórios e na orientação do grupo, dentro de um barulhento ambiente que traz ruídos de muitas outras espécies, também incomodadas com a poluição humana na água.

Ulrika Candolin da Universidade de Helsinque na Finlândia estuda os efeitos das mudanças de coloração nas águas do Mar Báltico na comunicação de algumas espécies de peixe que atraem as fêmeas modificando sua coloração como um atributo de conquista sexual. Com as águas mais turvas a vida sexual de espécies como o Espadilho de três-espinhos que executa toda uma dança e com mudança de coloração para atrair a fêmea e agora se vê no prejuízo na hora de produzir descendentes. Efeito similar algumas espécies de ciclídeos que vivem no Lago Vitória na África também já foram detectados por pesquisas que constataram que a turbidez da água é um fator responsável, diretamente pela redução das populações destas espécies no lago.

As diferentes atividades humanas são verdadeiramente destrutivas. Nestes exemplos, pude mostrar indicadores da qualidade ambiental promovendo distúrbios nos sentidos da visão, audição e olfato ou percepção da acidez de algumas espécies de peixes. Com atividade maior ou menor em termos de impactos ambientais o homem tem corroborado muito com a destruição do planeta. O homem tem reforçado a premissa de que o mar não está nem para os peixes.

Boa semana e até a próxima...