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FELIPE, DILMA, OURO E BURROS

 
Tive um velho professor de história que era, literalmente, apaixonado pela figura de Alexandre Magno a quem chamava de “o impávido conquistador macedônio”. Sob qualquer pretexto, citava as batalhas memoráveis do conquistador e o fazia com tal riqueza de detalhes e com tamanho entusiasmo que parecia ter participado delas. Nunca se esquecia de afirmar que o  “bravo conquistador” tinha tanto apreço por seu cavalo Bucéfalo,que chegou a rebatizar uma das províncias conquistadas com o nome de Bucéfala. Como nunca tive maior apreço por heróis sanguinários, em matéria de alexandres, sempre preferi o anti-herói mentiroso de Graciliano Ramos. Um dia, não sei por que motivo, o velho professor resolveu citar o pai de Alexandre, Felipe II. Segundo ele, Felipe, ao contrário do filho, às vezes, usava métodos menos ortodoxos: subornava os governantes dos países que pretendia conquistar. Sua máxima preferida: “Não há fortaleza que resista se nela pudermos fazer penetrar um burro carregado de ouro”. 
 
Nessa altura do campeonato, meus três leitores estão se perguntando: aonde diabos o velho ancião quer chegar? O que tem dona Dilma  a ver com essa história mal alinhavada? Vamos explicar: como se sabe, a imprensa graúda brasileira nunca morreu de amores pelo Partido dos Trabalhadores. Alguns jornalões, a Folha é um bom exemplo, até se esforçam para vender a imagem de “imparciais”, mas não convencem. As revistonas, capitaneadas pela Veja, nem disfarçam: assumem claramente uma postura escancaradamente ‘antipetista”. Consta que a revista de maior circulação no país só descansará quando “enterrar” o Lula e o resto da cambada. A Istoé, no primeiro mandato de dona Dilma, fazia o jogo pendular: ora mordia, ora soprava, sem se esquecer de fustigar o PSDB para parecer mais convincente. Agora, resolveu desbancar a concorrente: a cada edição, bate na “presidenta” com mais força. Por amor à verdade, motivos não faltam. 
 
Os três leitores insistirão: mas onde o Felipe da Macedônia entra na história. Leiam este fragmento de reportagem publicado na última edição da Istoé: “O governo federal e o PT planejam concentrar ainda mais as verbas de publicidade a veículos favoráveis (sic) à presidente Dilma”. Segundo a revista, o governo pulveriza as verbas destinadas à publicidade oficial, contemplando, preferencialmente, as chamadas mídias eletrônicas: sites, blog, etc, alinhados com governo. Precisa dizer mais? 
 
Parece que o cobertor ficou curto. Fechando esta arenga, acrescento, por minha conta e risco: se a “presidenta” quiser mudar o discurso da grande mídia brasileira, terá de fazer penetrar tropas de burros carregados de ouro nas fortalezas comandadas pelos “donos da palavra”. Pode até parecer fácil, mas aqui surge o problema: burros, dona Dilma sempre os terá, mas o ouro, que é bom, onde encontrá-lo?