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Mais uma manifestação com cara de remake

Algumas coisas, de tão repetitivas, já se tornaram insuportavelmente chatas. Uma delas é a paralisação anual dos motoristas e cobradores de ônibus. Nada contra a reivindicação justa e legítima por melhores salários e condições de trabalho dignas. É uma aspiração natural de qualquer categoria. O problema é a forma de reclamar o que se acha justo para si.

O conceito de justiça, aliás, parece passar longe dos que encabeçam esse movimento, porque tão justo quanto o salário que eles solicitam é o direito de ir e vir da população de baixa renda que depende do transporte coletivo para ir e vir do trabalho, da escola ou de onde quer que seja.

Anualmente, com data marcada, milhares de pessoas são prejudicadas, perdem o ponto, a prova, o exame médico, o compromisso marcado com antecedência porque os motoristas e cobradores se acham no direito de parar a cidade com uma reivindicação que é só deles. O embate entre a categoria e os patrões sempre acaba se resolvendo no final das contas, mas não antes de causar um transtorno desnecessário à população.

Não é à toa que o sonho de quase todo teresinense, tão logo receba o primeiro salário, é comprar um meio de transporte próprio, para, entre outras coisas, não depender mais desse tipo de chantagem. Hoje foi dia de mais uma operação dessa natureza, já com o recado de que, se não funcionar, haverá novas paralisações. E os usuários do sistema que se danem.

Da era dos dinossauros

 

Circula nas redes sociais um vídeo feito por uma cidadã nas dependências da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, mostrando a precariedade das condições do lugar onde é expedida a segunda via da carteira de identidade. É uma vergonha sob todos os aspectos. O prédio insalubre apresenta goteiras, infiltrações, paredes descascando e um amontoado de entulhos.

A desorganização segue pela maneira pré-histórica como os arquivos estão guardados, em gavetas antigas e enferrujadas, nas quais os servidores são obrigados a consultar manualmente as fichas com informações dos piauienses.

Na era da informática e da tecnologia da informação, a Secretaria de Segurança do Piauí parece um fóssil que resistiu ao tempo, não sem os desgastes naturais que este acarreta. O cidadão que precisa retirar uma segunda via do seu RG ainda tem de se submeter à humilhação de esperar por longas horas em uma fila, sem qualquer conforto.

Não dá sequer para imaginar como ainda possam existir órgãos da administração pública funcionando nessas condições. É um atraso que atrapalha a vida do Estado, dos servidores e da população.

O Secretário de Segurança, Cel. Rubens Pereira, diz que está adotando mudanças para mudar o Instituto de Indentificação do atual prédio onde se encontra para um imóvel próximo ao Ginásio Verdão, o que deveria ter acontecido desde o ano passado. A transferência, segundo ele, não foi possível por conta da contenção de gastos imposta pelo governo. Ele diz que, assim que o sistema financeiro for reaberto,  voltará a solicitar a liberação de recursos junto à Secretaria da Fazenda.

Uma mancha roxa na saúde

Como já é tradição colorir os meses do ano como forma de alerta para a prevenção de algumas doenças, o mês de janeiro tinge-se de roxo para chamar a atenção para a hanseníase, uma doença antiga, que teve seus primeiros registros há 4 mil anos na China, Egito e Índia, e que ainda hoje atormenta a população, sobretudo das regiões subdesenvolvidas.

O Piauí registra um índice alto da doença. Em 2017, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado, foram notificados  1.068 casos, o que representa uma proporção de 33,2 pessoas infectadas para cada 100 mil habitantes. No ano passado, houve um ligeiro declínio, mas ainda assim os números são graves: 962 casos, com uma incidência de 29,7 por 100 mil habitantes.

A hanseníase, a antiga lepra citada em vários textos da Bíblia, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria, conhecida como bacilo de Hansen. Ela se manifesta por meio de manchas na pele, normalmente associadas à perda de sensibilidade na área afetada. O tratamento é feito gratuitamente na rede pública de saúde e, se administrado corretamente, pode levar à cura.

Apesar do avanço no tratamento, ainda há um estigma muito forte com relação à doença, que não é transmitida tão facilmente como se imagina. Se o paciente estiver fazendo o tratamento adequado, ele não transmite. Portanto, não precisa ter medo de um simples aperto de mão. A transmissão ocorre mais pelo contato com a saliva ou secreções nasais do paciente que não se trata.

Aqui no Piauí, o Centro Maria Imaculada, mantido pela Ação Social Arquidiocesana, e um dos beneficiados com os recursos da Caminhada da Fraternidade, é referência no tratamento aos hansenianos. Lá, os pacientes são acolhidos, recebem o tratamento adequado, dispõem de fisioterapia e de uma oficina para confecção de calçados para quem já perdeu parte dos membros inferiores. Um serviço de qualidade que ainda precisa de apoio e suporte financeiro para continuar mantendo seu atendimento a contento.

A participação privada avança no setor público

A gestão pública brasileira reconheceu que não consegue dar conta de administrar tantos e tão diferentes serviços com a qualidade que a população exige e merece. Por conta disso, a realidade, hoje, é que os governos – federal, estaduais e municipais – estão aderindo, cada vez mais, às privatizações.

Durante longos anos, a patrulha ideológica da esquerda fazia soar quase como um crime de lesa-pátria a simples menção à palavra privatização. Mas o tempo, sempre senhor da razão,veio mostrar que o governo não tem como abraçar o gigantismo da administração pública com eficiência.

E foi assim que a telefonia melhorou  consideravelmente, só para citar um exemplo. Antes da abertura do mercado para as empresas, obter uma linha telefônica era tão complicado e caro, que possuir um telefone em casa era sinal de luxo e poder.

Embalado por essa nova visão, o governo federal já anunciou que vai leiloar 49 projetos de infraestrutura só este ano, com investimentos previstos de R$ 67,9 bilhões. O pacote inclui 12 aeroportos, 10 portos, mais a Ferrovia Norte e Sul. Outros 24 projetos devem ser oferecidos ao mercado ao longo do ano.

Aqui no Piauí, a nova empresa que adquiriu a Cepisa já apresentou suas metas de crescimento e começou a investir pesado para que haja uma efetiva melhoria na qualidade da energia elétrica fornecida aos consumidores. O primeiro teste veio agora com as chuvas de janeiro. E o que se viu, é que a energia já não falta mais ao simples sinal de nuvem no céu, como acontecia anteriormente.

Privatização, portanto, não pode ser vista como um monstro inimigo do Estado, desde que seja feita dentro de critérios absolutamente técnicos, com regulação e fiscalização pelo poder público.

Servidores estaduais podem ficar sem atendimento médico

Mais uma vez, o problema do atraso no repasse do pagamento do Iaspi e do Plamta aos hospitais particulares volta a comprometer o atendimento dos servidores públicos estaduais que descontam regular e compulsoriamente dos seus salários na esperança de ter um atendimento digno quando necessitam.

A direção do sindicato dos hospitais novamente ameaça suspender o atendimento aos segurados do Instituto de Assistência e Previdência Privada do Estado do Piauí e do Plano Médico de Assistência e Tratamento porque as casas de saúde estão sem receber o pagamento pelos procedimentos e internações realizados desde setembro do ano passado.

Para tentar resolver o problema, a entidade que representa os hospitais e clínicas particulares protocolou um ofício junto ao Ministério Público, alegando que os atendimentos do Plamta e do Iaspi representam cerca de 70% do faturamento das empresas de saúde no Piauí.

O Instituto de Assistência à Saúde informou, por meio de nota, que há previsão de pagamento do mês de setembro agora em janeiro, mas está aguardando um posicionamento da Secretaria de Fazenda. Cabe a pergunta: quem está doente pode esperar tanto tempo assim? E mais: já que o dinheiro é descontado no contracheque dos servidores, porque não é repassado imediatamente ao seu fim?

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