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Chegou a hora do vale-tudo

Na reta final da campanha para a sucessão presidencial, a estratégia dos candidatos é tentar quebrar a polarização formada entre PT e anti-PT, liderada pelo deputado Jair Bolsonaro. Os candidatos que ainda acreditam na chance de chegar ao segundo turno -  Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) - concentram seus esforços, neste momento, para atacar Haddad e Bolsonaro.

Ciro bate mais de frente no candidato do PSL  porque espera atrair os votos da esquerda e, em caso de segundo turno contra Bolsonaro, quer contar com o apoio, ainda que silencioso, do PT. Já Alckmin está tentando passar a imagem de que ele é o melhor candidato a confrontar com Haddad e usa o discurso de que, para combater a volta do PT, o eleitor não precisa ir ao extremo oposto, representado pelo radicalismo da direita, que desrespeita os direitos das minorias e prega o uso de mais violência. O candidato tucano fala em pacificação e união do Brasil para resolver a crise.

Marina Silva, que vem caindo sistematicamente em todas as pesquisas, ainda não se deu por vencida. Ela bate com precisão nos candidatos que se encontram na dianteira, , principalmente, as falas de Bolsonaro e do seu vice, General Mourão, que tem se especializado em produzir frases de efeito desastroso nesta campanha tão marcada por polêmicas e agressões.

Até mesmo o ex-ministro Henrique Meireles (MDB), embora enfileirado entre os nanicos, está levantando a voz contra a proposta apresentada pelo economista Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro. Meireles diz abertamente que quem propõe a volta de um imposto nos moldes da CPMF não entende de economia. Pelo visto, até o dia 6 de outubro a temperatura dos debates vai subir até atingir a fervura. Os mais fracos virarão fumaça.

De oásis a deserto

O incêndio que ameaçou a Uespi e outros prédios públicos próximos, como o Emater e a Secretaria de Desenvolvimento Rural, no bairro Pirajá, por pouco não se transformou em uma grande tragédia. As primeiras informações davam conta de que o fogo teria começado em uma vegetação próxima.

Nesta época do ano, os cuidados devem ser redobrados com terrenos baldios e espaços ocupados pela vegetação seca, combustível para o início de incêndio, ao menor descuido da população. Basta uma bagana de cigarro acesa, somada à baixa umidade do ar e à altíssima temperatura, para o pior acontecer. Até mesmo um caco de vidro pode funcionar como prisma, decompondo os raios de sol e gerando a faísca que pode precipitar o fogo.

Não é mera impressão dos moradores da capital. A cada ano, as temperaturas se elevam mais ainda, o tempo torna-se mais seco e quente. Muito pouco ou quase nada é feito em termos de melhoria das condições climáticas da cidade que, temo, pode tornar-se uma grande área de deserto no futuro.

A crescente impermeabilização do solo urbano, a derrubada da vegetação para construção de grandes empreendimentos imobiliários, a agonia dos rios Parnaíba e Poty, e o aumento no número de automóveis expelindo monóxido de carbono representam um perigoso agravante para o clima da cidade, que parece piorar em uma crescente assustadora.

A preservação de áreas verdes, de fontes de água e a contenção de hábitos poluentes são uma necessidade de extrema urgência se quisermos continuar habitando a cidade sonhada por Saraiva, justamente pela riqueza dos rios que a banham. Os dois rios, nosso maior patrimônio natural, de tão maltratados, já apresentam sinais de agonia. Os habitantes da cidade, outrora verde, agonizam junto com eles.

Eleição presidencial lembra FLA X FLU

A pesquisa Ibope divulgada ontem à noite confirmou a tendência de polarização entre petismo e anti-petismo no pleito marcado para o próximo dia 7 de outubro. O PSDB que, em anos anteriores, protagonizava com o PT essa disputa, foi substituído pelo discurso agressivo do deputado Jair Bolsonaro (PSL), que soube apresentar-se ao eleitor como a antítese do partido de Lula.

Depois de anunciado oficialmente como o candidato do Partido dos Trabalhadores,  o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, só cresce. Já atingiu 19%, ficando em segundo lugar na corrida presidencial, atrás de Bolsonaro, que mantém a liderança com 28%. Ciro Gomes (PDT) está com 11%; Geraldo Alckmin (PSDB), 7%; e Marina (Rede) continua caindo, e agora tem apenas 6%.

Os dois extremos, Haddad e Bolsonaro, tentarão de tudo, daqui para  frente, para tentar obter os votos dos demais candidatos. O candidato do PT voltará seu discurso para conquistar os eleitores de Marina e Ciro, alinhados com a esquerda. Já Bolsonaro , deve voltar sua atenção para os eleitores de centro, que o acompanham não tanto por admirá-lo, mas por temerem a volta do PT ao poder.

O afastamento de Bolsonaro da campanha acabou por beneficiá-lo, de certa forma. Sem participar de sabatinas e debates, onde, costumeiramente, externava um discurso extremista, muitas vezes atentando contra a democracia e as minorias, ele evita cometer novas gafes, tarefa da qual se ocupou seu vice, General Mourão. Por outro lado, em respeito ao seu estado de saúde, os adversários aliviaram as críticas contra ele.

Haddad insiste em colar sua imagem à figura do guru do partido, o ex-presidente Lula, que encontra-se preso em cumprimento de pena por corrupção e lavagem de dinheiro, mas que, ainda assim, mostrou força eleitoral capaz de impulsionar seu substituto, empurrando-o em pouquíssimo tempo para o segundo lugar na disputa.

Pelo visto, a eleição tem tudo para seguir com cara de FLA X FLU, até mesmo na exaltação dos ânimos das torcidas de um e de outro time.

BNB libera R$ 5 milhões para projetos inovadores de pequenas empresas

Micro e pequenos empreendedores que possuem uma ideia inovadora para fomentar os negócios podem contar agora com o suporte financeiro do Banco do Nordeste, que está disponibilizando R$ 5 milhões, não reembolsáveis, para projetos de impacto no desenvolvimento dos estados nordestinos, bem como no norte de Minas Gerais e no Espírito Santo.

As inscrições podem ser feitas até o dia 24 de outubro, no endereço bnb.gov.br. Podem participar micro ou pequenas empresas com receita operacional bruta ou renda agropecuária bruta de até R$ 4,8 milhões, auferida no ano anterior.

Os projetos devem contemplar as áreas do agronegócio; cidades sustentáveis; concessão, administração e recuperação de crédito; economia criativa – jogos eletrônicos; educação; energias renováveis; espaços inteligentes; finanças; saúde inteligente, entre outros.

É uma oportunidade interessante, que vale pelo incentivo ao empreendedorismo e inovação no mundo dos negócios. Sabe-se que as micro e pequenas empresas respondem por uma parcela considerável da economia brasileira. Dados de 2011, encomendados pelo Sebrae, apontavam que elas representavam  27% na participação do Produto Interno Bruto brasileiro, ou seja, mais de um quarto.  No setor comércio, as micro e pequenas empresas somaram 53,4%, ainda de acordo com a mesma pesquisa, realizada pela Fundação Getúlio Vargas.

Se o Brasil quiser crescer e sair da pior recessão já enfrentada, precisa apoiar mesmo os empreendedores que fazem a economia prosperar, gerando empregos e fazendo circular a moeda. O montante, R$ 5 milhões, nem é tanto assim, mas já é um estímulo para quem pretende chegar mais longe.

A volta das teorias da conspiração

Causa preocupação  a frequência com que os candidatos dos extremos ( esquerda e direita), justamente os mais bem colocados nas últimas pesquisas de intenção de voto, vêm tentando disseminar a ideia de que qualquer outro resultado nas urnas que não lhes garanta a vitória é fraude.

A cantilena começou com o PT, ao propagar o slogan de que eleição sem Lula é golpe. Argumento totalmente desprovido de razão, vez que a Lei da Ficha Limpa, que impede o ex-presidente de ser candidato, foi assinada por ele mesmo, quando ocupava o comando do Planalto. Certamente, ao assinar a lei, não imaginava o alcance da Operação Lava Jato.

Agora, mais recentemente, Jair Bolsonaro (PSL) começa a insistir na tese de que as eleições podem ser fraudadas e, para isso, já arrumou até uma desculpa: a inexistência do voto impresso. Ontem, ainda extremamente debilitado por causa das duas cirurgias a que foi submetido após a facada que recebeu no último dia 6, ele gravou um vídeo, no leito do hospital, para dizer que o PT arma uma fraude nas urnas.

O discurso de Bolsonaro é uma justificativa prévia para o que pode acontecer nas urnas em razão do altíssimo índice de rejeição que o candidato apresenta. Aliás, a rejeição a Bolsonaro é maior que o índice de intenção de votos de qualquer outro candidato, inclusive o dele próprio.

Tentar desqualificar o processo eleitoral é uma estratégia tola e antidemocrática. As urnas são auditadas e zeradas antes do início da votação. Nosso sistema eleitoral eletrônico permitiu uma votação ágil e sem o medo que havia anteriormente nos grotões do país de que o cabo eleitoral pudesse confirmar o voto comprado de determinado eleitor. É perigoso que o debate, nesta campanha, saia do campo das ideias e propostas para tornar o país melhor e enverede pelo campo fictício das ultrapassadas teorias da conspiração.

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