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Com ciência não se brinca

O negacionismo da ciência é um movimento perigoso que vem tomando corpo no Brasil, com consequências perigosas para toda a população. Anos e anos de estudos feitos por cientistas com método e rigor acadêmico são colocados em xeque sem qualquer fundamentação, pondo em risco até mesmo a vida das pessoas.

Tomemos o exemplo da campanha anti-vacinação que se espalhou com o auxílio das redes sociais. Inventaram todo tipo de desculpa para evitar que os pais levassem seus filhos para receber as doses necessárias das vacinas que os protegem contra vários tipos de doença. Resultado: enfermidades que já haviam sido erradicadas no país voltaram agora, como é o caso do sarampo. Para quem não sabe, sarampo pode matar. E o surto que o Brasil enfrenta hoje é fruto da ignorância ou descaso dos que deixaram de completar a caderneta de vacinação.

A mesma coisa está acontecendo com relação ao aquecimento global. Negar o que está acontecendo com o clima do planeta é a mesma coisa que negar que o homem foi à Lua ou que a Terra é redonda. Não se trata de achismo. É ciência. As calotas polares estão derretendo de forma visível e os fenômenos extremos de seca e de enchentes estão se intensificando e ocorrendo de forma cada vez mais intensa.

As pesquisas do IPCC ( Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) preveem uma elevação da temperatura global em 1°C no século XXI. Isso, dentro de um cenário otimista, em caso de preservação da atmosfera. No cenário mais pessimista, com a continuidade da poluição e das queimadas, esse aumento pode chegar a 1,8°C e até a 4°C.

É um dado assustador para fazer todo mundo parar e pensar. Não para ficar batendo boca em discussões ideológicas infrutíferas, mas para uma tomada de decisão coletiva, onde todas as pessoas são partes responsáveis. A elevação da temperatura a esses níveis afeta a agricultura, com consequente perda na produção de alimentos, e a própria qualidade de vida do ser humano, cujo corpo tem um limite para suportar o aquecimento.