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Decreto proíbe queimadas por 60 dias em todo o país

Foi necessário que a devastação na Amazônia, provocada pelo desmatamento e pelas queimadas, alcançasse repercussão internacional para que o governo brasileiro acordasse para a gravidade do problema que põe em risco nosso maior patrimônio nacional. Saiu hoje no Diário Oficial da União o decreto presidencial que proíbe a realização de queimadas em todo o território brasileiro por um período de 60 dias. A medida, segundo o presidente, é “excepcional e temporária” e abre exceção para atividades da agricultura de subsistência.

As queimadas, infelizmente, são uma prática comum no Brasil que, quando acompanhadas do clima seco, vento forte e altas temperaturas, formam o combo perfeito para a disseminação de incêndios de grandes proporções que devastam nossa mata, comprometendo a biodiversidade e a própria saúde humana.

O governo vem sinalizando a algum tempo que pretende abrir a Amazônia para exploração econômica, limitando as reservas indígenas e regularizando o garimpo. Pode até não ser, mas o discurso do presidente dá a entender que a preservação do meio ambiente não é propriamente uma preocupação do seu governo. Acontece que a atividade econômica predatória pode ser um tiro no pé, já que a comunidade internacional, sempre atenta a essa questão, ameaça impor sanções aos produtos brasileiros cultivados fora dos limites da sustentabilidade.

Conciliar o crescimento econômico ao respeito ambiental é uma tarefa delicada, mas não impossível, além de ser mais vantajosa a longo prazo. O discurso de preservação, portanto, não pode ser apenas para dar uma resposta imediata à pressão externa.