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O que as mãos fazem, a língua desmancha.

A pesquisa de avaliação do governo Bolsonaro divulgada ontem pelo Instituto Datafolha leva a uma reflexão. O presidente desfaz com a boca o que o seu governo conquista no mercado. Ainda que timidamente, o governo já tem alguns ganhos a apresentar: a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência, a aprovação da MP da Liberdade Econômica, a queda da taxa Selic, a redução no número de desempregados, que caiu de 12,8% para 11,8% são alguns dos exemplos.

No entanto, a avaliação do governo vem despencando ao longo dos meses. O percentual dos que achavam o governo de Bolsonaro ótimo e bom caiu de 32%, em abril, para 29% agora no final de agosto. Por outro lado, o índice dos que consideram a administração ruim e péssima passou de 33%, no mesmo período, para 38%. O aumento do percentual da população que desaprova o governo se dá em todos os segmentos de renda, idade, escolaridade e região, o que significa dizer que mesmo os eleitores de Bolsonaro estão se decepcionando com o mito. E por quê?

A resposta está no descontrole verbal do presidente que, esquecendo-se da liturgia do cargo, fala o que quer e colhe o que não quer. Declarações machistas, preconceituosas, discriminatórias, contrárias à ciência e ao meio ambiente, tudo isso contribui para formar a imagem de um presidente despreparado para o cargo. Esquece ele que cada palavra dita tem uma repercussão de grandes proporções. A crise criada desnecessariamente com as queimadas na Amazônia, por exemplo, põe em risco o acordo de cooperação entre a Comunidade Europeia e o Mercosul. Certamente, se o presidente se impusesse um voto de silêncio por algum tempo, o Brasil sairia ganhando.