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Caro e desnecessário

Na operação Independência, desencadeada hoje pela polícia civil, para dar cumprimento de mandado de prisão a 16 pessoas por roubo qualificado, um dos detentos estava usando duas tornozeleiras eletrônicas. Não, caro(a) leitor(a), você não leu errado. A mesma pessoa usava duas tornozeleiras, uma em cada perna. Esse homem já havia sido preso duas vezes e, em cada uma das prisões, recebeu o acessório.

Ontem, o Coronel Márcio Oliveira, comandante de operações da capital, ao falar sobre o assalto a um ônibus da capital, revelou que um dos bandidos estava usando a tal tornozeleira. Ou seja, o equipamento não está tendo qualquer serventia para limitar a ação dos criminosos. Teoricamente, o aparelho deveria monitorar os passos de quem o usa, dentro de um raio de inclusão determinado pela justiça, que inclui residência, local de trabalho, escola dos filhos. Se o monitorado sair desse raio, a central de monitoramento é acionada e envia uma notificação à pessoa para saber por que ela está fora do raio permitido e determinando a sua volta. Em caso de transgressão à norma, a justiça avalia a continuidade ou permanência do benefício. Na prática, não é isso que acontece.

A tornozeleira eletrônica tem provado ser apenas uma despesa desnecessária ao Estado, que não faz o monitoramento dos equipamentos e permite que ele continue a praticar crimes. Os dois casos citados acima estão longe de serem exemplos isolados. Ao contrário, tem se tornado cada vez mais frequente a prática de crimes por bandidos que mantêm a tornozeleira na perna mais como um acessório do que como ferramenta de controle e monitoramento do sentenciado.  Hora de rever essa estratégia.