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Censura nunca mais

O Brasil está vivendo um retrocesso perigoso no que diz respeito à liberdade de expressão, direito assegurado pela nossa Carta Magna, no seu artigo 5°, inciso IX: “ é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença.” Primeiro, foi a tentativa de censura a uma publicação exposta na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Uma bienal reúne público diferenciado, na maioria, apaixonado por livros, portanto, com capacidade para discernir sobre o tipo de leitura que deseja consumir. No caso da decisão do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, o que ele conseguiu com a atitude despropositada de mandar recolher os livros foi simplesmente dar extraordinária visibilidade a uma obra que, provavelmente, passaria despercebida na prateleira não fosse a polêmica desnecessária criada pelo prefeito de uma cidade repleta de graves problemas a serem resolvidos. Alguém lembra da censura ao filme de Godard?

O governador de São Paulo, João Dória, na mesma linha autoritária, mandou recolher apostilas distribuídas a alunos da 8ª série por, segundo ele, conter apologia à ideologia de gênero. Um grupo de professores recorreu contra a decisão do governo e a justiça determinou que as apostilas sejam  devolvidas dentro de 48 horas. A decisão ainda cabe recurso.

Ontem, um livro; hoje, uma apostila e não tardará a tentativa de censura aos meios de comunicação que tanto incomodam os autoritários. Liberdade é um bem supremo das democracias e do qual não se pode abrir mão, sob pena de voltarmos aos anos de chumbo da ditadura. A livre manifestação do pensamento, da  informação, das artes, da ciência e da religião é uma conquista civilizatória. Não podemos flertar com os costumes da Idade Média, em pleno século XXI.