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Deputados seguem na contramão do país

Depois de praticamente vencida a batalha da Reforma da Previdência, que deve ser votada em segundo turno ainda no mês de outubro, as atenções do governo voltam-se agora para o pacote anticrime do Ministro Sérgio Moro. Promessa de campanha do presidente Bolsonaro, o maior rigor no combate à violência e à corrupção não encontra o mesmo respaldo no Congresso, até porque muitos dos parlamentares temem que as medidas a serem aprovadas sejam aplicadas contra eles próprios.

Um dos pontos emblemáticos do pacote é a permissão para prisão do réu após a condenação em segunda instância, item considerado indispensável por Moro, mas rejeitado pelos deputados que, aliás, já mandaram um recado ao ministro: se ele insistir na aprovação desse ponto, a Câmara pode rejeitar todo o pacote.

Essa ameaça deixa claro que os deputados não estão nem um pouco preocupados em combater o crime no país. Não há justificativa para um réu que tem todo o direito de defesa ao longo do processo, seja condenado em primeira instância, recorra, volte a ter sua sentença confirmada em um segundo tribunal e, ainda assim, permaneça solto, ameaçando a sociedade.

Outros pontos do pacote, como o excludente de ilicitude e o endurecimento de regras para as saídas temporárias também estão sendo descartados pela Câmara, mostrando total falta de sintonia com a sociedade, que já deu incansáveis provas de que não suporta mais a impunidade, fada madrinha dos criminosos.

O governo lançou ontem uma campanha publicitária em defesa do pacote com depoimentos comoventes de vítimas da violência. Pois até a campanha já está sendo contestada no Supremo pela turma do contra. Depois, essas mesmas pessoas reclamam da violência quando ela atinge o seu círculo familiar.