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Supremo decide a partir de hoje em que Brasil devemos acreditar

O assunto não é novo, mas é o que irá atrair os holofotes na sessão do Supremo Tribunal Federal desta quinta-feira, quando os ministros retomarão as discussões sobre a possibilidade da execução da pena após a condenação do réu em segunda instância. Há muito tempo, o mesmo Supremo já havia se manifestado pela admissibilidade da prisão após sentença julgada em um Tribunal de segunda instância, mas o tema ganhou outro contorno quando a Lava Jato pôs as mãos sobre nomes poderosos, política e economicamente, do país.

Com uma possibilidade infinita de recursos cabíveis no ordenamento jurídico brasileiro, réus que possuem uma gorda conta bancária seriam os maiores beneficiários porque podem pagar as melhores bancas de advogados para protelarem a sentença final até a data da prescrição. Os advogados, por interesses financeiros óbvios, também defendem a tese de que o réu só possa ser preso após o processo ser transitado em julgado. Eles teriam mais instrumentos para continuarem a ser pagos por seus clientes endinheirados.

E a Nação, o que ganha caso a prisão após a segunda instância seja derrubada? Ganha a vergonha de ver a vitória da impunidade se sobrepor à defesa dos que lutam contra o crime, em especial os crimes de colarinho branco, muitos dos quais deverão prescrever sem que os réus passem um dia sequer na cadeia. É um desestímulo ao espírito de moralidade pelo qual o Brasil foi às ruas, acreditando que estava nascendo um novo país.

Cabe aos senhores ministros do Supremo decidirem em que país iremos acreditar: no que defende a ética e a moral ou no que acoberta os males dos que dilapidam o Erário. Vamos acompanhar, voto a voto, a sessão que se inicia hoje e que deve ser concluída somente na próxima semana.