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PSL se esfarela ao chegar ao poder

Como na guerra fratricida entre Caim e Abel, o presidente Jair Bolsonaro vai rifando, um a um, os seus aliados de primeira hora na campanha eleitoral. Do início do ano até agora, a lista de ex-correligionários que se tornaram desafetos só aumenta, deixando o partido do presidente, o PSL, cada vez mais par-ti-do. Bolsonaro, no seu estilo peculiar, não admite divergências ou críticas e, sempre que isso acontece dentro do seu partido, em vez de exercer a arte do diálogo – coisa que ele desconhece – parte para o confronto.

Assim, a legenda que tinha tudo para crescer com a sua eleição, vai definhando acentuadamente. Começou com a demissão do então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebiano, que saiu como “um pote até aqui de mágoa”, segundo ele, não pela exoneração, mas pela forma como ela aconteceu. Depois, foi a vez do deputado Alexandre Frota (SP), que também saiu magoado e atirando farpas no outrora aliado. A senadora juíza Selama (MT) foi outra que deixou a legenda.

Agora, o incêndio da vez se deu por conta do deputado Luciano Bivar (PE), que acabou envolvendo o líder do partido, Delegado Waldir (GO). Na linha do “bateu-levou” de Bolsonaro, o delegado chegou a dizer que iria implodir o presidente. E sobrou até para a batedora Joice Hasselman (SP), que sempre ergueu a voz em tom firme para defender Bolsonaro. Destituída do cargo de líder do governo no Congresso, ela desabafou dizendo que foi sua carta de alforria.

Em um momento delicado de aprovação de medidas tão importantes para o país, o presidente segue espalhando brasa, em vez de agir como um conciliador. Não basta vencer a eleição, é preciso saber administrar o capital político conquistado para poder conduzir a administração. Alguém precisa dizer isso ao presidente e, certamente, não serão seus filhos, tampouco o guru, Olavo de Carvalho.