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As botas caminham para assumir o poder

Durante o processo de democratização do Brasil, pós-ditadura militar, a farda e o coturno viraram símbolo de um poder opressor, de restrição das liberdades e de censura das manifestações de expressão. Nessa época, a sociedade, como um todo, olhava atravessada para as instituições policiais.

Desde o ano passado, com a eleição do capitão Jair Bolsonaro para a presidência da República, os militares voltaram a assumir o protagonismo na cena nacional e, embalados nessa onda moralizadora personificada pelo poder da polícia, militares de norte a sul também se aventuraram a disputar cargos eletivos.

Aqui mesmo no Piauí, o capitão Fábio Abreu e o Coronel Carlos Augusto, ex-comandante da Polícia Militar, lograram êxito nas eleições para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa, respectivamente. Para as eleições municipais do próximo ano, mais uma vez, homens e mulheres de farda estão calçando o coturno para caminharem em busca de votos que lhes garantam um mandato no Executivo ou Legislativo.

O próprio Fábio Abreu, hoje deputado federal, pretende disputar o cargo de prefeito de Teresina. Mas não é só ele. A major Elizete Lima, que também concorreu a uma vaga na Câmara Federal , sem êxito, no ano passado, tem intenção de concorrer a uma cadeira na Câmara Municipal. Outra que vem sendo cotada e já assume o comportamento de candidata ( também ao cargo de vereadora)  é a delegada da polícia civil Anamelka Cadena.