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A bruxa está solta no Brasil

De tanto querer importar a festa do Halloween para cá, o Brasil acabou vivendo o seu dia das bruxas. Toda essa nebulosa história sobre o depoimento do porteiro do condomínio do presidente Jair Bolsonaro ainda tem pontos a serem explicados. A reportagem veiculada pelo Jornal Nacional, na Rede Globo, dava conta de um inquérito no qual constava um depoimento do funcionário da portaria em que ele dizia que havia ligado para casa de número 58, pertencente ao então deputado Jair Bolsonaro, e ouvido uma voz que, segundo ele, parecia com a do deputado, autorizando a entrada de um dos executores da vereadora Marielle.

A própria reportagem foi checar a veracidade da declaração do porteiro e apontou a contradição existente, ao revelar a digital do deputado Bolsonaro no registro de presença da Câmara dos Deputados. Um trabalho que poderia ter sido feito desde o dia do depoimento, pela própria polícia ou pelo Ministério Público, e que teria evitado, talvez, toda essa confusão.

Ontem, só depois que o documento veio a público, e com a destemperada reação do presidente nas redes sociais, é que os responsáveis pela investigação se deram ao trabalho de apurar com rigor essa versão contada pelo porteiro e constataram, pelos registros do computador da portaria do condomínio, que ele não havia ligado para a casa de número 58, mas para a de número 65.

Fica a indagação: diante de uma revelação grave como a que o porteiro fez em seu depoimento, por que as autoridades responsáveis pelo caso não tomaram as providências de checar os registros da portaria, bem como a presença do deputado na Câmara? O que teria levado o porteiro a prestar uma declaração falsa, de extrema gravidade, envolvendo o nome de Jair Bolsonaro? Quem está por trás disso? Por que, só depois da revelação do caso pelo Jornal Nacional, o inquérito se mexeu? São indagações que ainda precisam ser explicadas.