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Brincando com fogo

É inadmissível, sob todos os aspectos, que um deputado eleito democraticamente pelo voto popular e ,mais ainda, filho do presidente da República, venha a público defender a volta do AI-5, o mais duro Ato Institucional do período da Ditadura Militar, baixado em dezembro de 1968, e responsável pelo fechamento do Congresso – o mesmo Congresso para o qual ele disputou as eleições.

Não é a primeira vez que o deputado Eduardo Bolsonaro afronta a democracia e as instituições que a sustentam. Em um vídeo, ele já havia dito que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastava um cabo e um soldado. Como pode um representante que tem o seu mandato assegurado por um regime democrático ameaçar, ainda que verbalmente, esse mesmo regime?

Eduardo passou de todos os limites. Chegou a tal ponto que o próprio pai, sempre em defesa do clã, o desautorizou publicamente. Ainda bem. O presidente Jair Bolsonaro fez questão de dizer que quem fala em AI-5 está sonhando. Mais que um sonho, senhor presidente, é um pesadelo!  Um pesadelo para o qual o Brasil não quer e não merece retroceder.

O país preza pela sua liberdade. Nós construímos uma Nação com instituições sólidas, apesar dos seus defeitos, que devem ser corrigidos, obviamente, mas nunca por meio da força e do autoritarismo, duas pragas das quais já nos livramos. Os colegas parlamentares já falam em afastamento do deputado Eduardo. De fato, quem não honra a casa que representa não merece ocupar um assento nela.