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Economia perversa prejudica segurados do INSS

Algumas coisas simplesmente andam para trás, dificultando ainda mais o sofrimento já vivido por gente simples, que não tem poder para lutar por seus direitos. As perícias médicas realizadas pelo INSS, indispensáveis para a concessão de benefícios, estão seriamente comprometidas por falta de profissionais para realizar o serviço. Muitos pacientes esperam por meses, sem conseguir o laudo do médico que garante o benefício. Resultado: prejuízo financeiro e frustração.

A quantidade de médicos, que já era insuficiente, foi ficando ainda mais reduzida em função das aposentadorias, mortes e pedidos de exoneração. Essas vagas não foram preenchidas por novos concursos, causando uma sobrecarga de trabalho para os que restaram. Os segurados que moram no sul do Estado estão sem opções porque as agências daquela área não têm vagas. Alguns deles se submetem a viajar até Teresina, com cerca de 800km de distância, para terem acesso a um serviço que deveria estar à sua disposição perto de casa.

Para complicar um pouco mais a burocracia perversa que penaliza pessoas pobres e fragilizadas, a gerência de perícia médica do Piauí passou a ser subordinada a Juazeiro do Norte, no Ceará. A quem os piauienses vão reclamar a partir de agora, se nem autonomia administrativa as agências locais possuem?

A economia não pode ser vista apenas do ponto de vista numérico. Enxugar despesa à custa do sofrimento da população é, no mínimo, desumano. Os segurados que esperam até quatro meses para serem avaliados por um perito médico ficam privados do seu benefício. E justamente em um momento de maior necessidade. De que vale a  economia sem justiça social?