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As feras estão soltas na arena política

A  polarização política, que há algum tempo já vem dominando a cena nacional, ganhou contornos mais firmes desde sexta-feira, quando o ex-presidente Lula foi posto em liberdade, após decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional a execução antecipada da pena.

A saída de Lula da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, como era de se esperar, despertou a militância de esquerda que conduziu o líder petista nos ombros em manifestações de grande mobilização popular. Até aí, está tudo dentro do roteiro. O problema é que o tom dos discursos, tanto da esquerda quanto da direita, começaram a se elevar novamente, acirrando ainda mais os ânimos entre os dois lados.

Nos embates políticos que representam Lula e Bolsonaro, ouve-se menos a discussão sobre projetos de governo, ideias e novos caminhos para o Brasil e mais o xingamento e achincalhe de uma parte a outra. Essa guerra de palavras, que inclui adjetivos como “canalha” e “ladrão”, cai como gasolina sobre a população em chamas que já não consegue mais manter a serenidade em um debate, ainda que travado no almoço de família aos domingos. Qualquer opinião emitida funciona como faísca em um ambiente altamente inflamável.

O debate é um tijolo importante na construção da democracia, quando praticado de forma civilizada. Se vira arma de munição simplesmente para ferir o adversário em nada contribui para a consolidação da cidadania. O Brasil está precisando de muito trabalho para encontrar seu caminho de paz e prosperidade. A guerrilha urbana e virtual em nada contribuirá para o país que desejamos.