Cidadeverde.com

Para rir ou para chorar?

Não era para ser assim, mas a distância que separa o Congresso da vida real dos brasileiros só aumenta. Desconectados dos anseios e dificuldades dos milhões de eleitores que os empregaram para que defendessem os interesses da pátria, os senhores deputados se esmeram em fazer justamente o contrário.

Ontem, como presente de grego neste Natal, a Comissão de Orçamento do Congresso aprovou a versão preliminar do relatório que define o valor do Fundo Eleitoral para o próximo ano. E prestem atenção na cifra aprovada: R$ 3,8 bilhões. Em um momento de crise, quando o país ainda patina para tentar respirar depois da pior recessão sofrida nos últimos anos, os deputados não se envergonham de querer destinar uma cifra astronômica para custear gastos com eleição.

Só para que os leitores tenham um parâmetro, a eleição do ano de 2018, a mesma que os colocou sentados em uma confortável cadeira em Brasília, custou aos cofres públicos R$ 1,8 bilhão. Qual a razão para este aumento significativo, em uma economia estagnada, com taxa de inflação projetada para menos de 4%?

É bom lembrar aos senhores parlamentares que a educação brasileira está de mal a pior, como revelaram os dados da avaliação do PISA divulgados esta semana. O sistema de saúde pública funciona aos trancos e barrancos, com a falta de medicamentos, aparelhos de exame e leitos de hospitais. Muitas mulheres ainda morrem de câncer de mama enquanto em boa parte do Brasil não existe um mamógrafo sequer para prevenir a doença. Sem falar nos 11,8% de brasileiros desempregados, sem qualquer renda para sustentar suas famílias. Diante desse cenário, fica a pergunta: faz sentido gastar R$ 3,8 bilhões com as eleições do próximo ano?