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Inversão de prioridades atrela Brasil ao subdesenvolvimento

Foto: Herlon Moraes

O economista Ricardo Amorim fez um levantamento bastante oportuno sobre a destinação do orçamento para a área de saneamento básico no Brasil nos últimos cinco anos e, também, para o próximo. É triste notar como uma área tão necessária à saúde e à qualidade de vida é tão negligenciada no país.

Em 2015, o orçamento brasileiro para o saneamento foi de R$ 3,1 bilhões; no ano seguinte, em 2016, caiu vertiginosamente para R$ 915 milhões. Em 2017, houve um ligeiro aumento, chegando a R$ 1,5 bilhões ( quantia ainda inferior a 2015). Em 2018, caiu novamente para R$ 605 milhões. 2019, R$ 835 milhões e, pasme, sabe quanto está previsto para investir em saneamento no próximo ano? R$ 661 milhões.

Isso em um país em que 48% da população – quase a metade – não dispõe de coleta de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil. Até pouco tempo, os estudos mostravam que cada real investido em saneamento gerava uma economia de outros quatro reais. Agora, a Organização Mundial de Saúde refez os cálculos e disse que, na verdade, a economia provocada com cada real aplicado nessa área é de nove reais.

Por si só, esse seria um argumento mais do que suficiente para um investimento maciço em coleta de esgoto e tratamento de água. Mas, além disso, saneamento básico está diretamente ligado ao desenvolvimento sustentável e à qualidade de vida.

No entanto, esta não é uma prioridade no Brasil. Prova disso é que enquanto o orçamento prevê míseros R$ 661 milhões para o saneamento básico, destina outros R$ 2 bilhões para o Fundo Eleitoral. E assim segue a nave Brasil.