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A vitória do pragmatismo eleitoral

Entre a pressão da opinião pública e a ameaça do Congresso em barrar pautas do governo e aprovar leis que o coloquem em aperto, o presidente Jair Bolsonaro resolveu ceder à esta última para não criar dificuldades para si mesmo. Depois de declarar que iria vetar o Fundo Eleitoral, o presidente já admitiu ontem que deve sancioná-lo para “não sofrer processo de impeachment”. A desculpa arranjada pelo presidente é apenas uma tentativa de acalmar seus seguidores.

O Fundo Eleitoral aprovado para as eleições deste ano alcança a impressionante cifra de R$ 2 bilhões, dinheiro que vai fazer falta nas obras de infraestrutura, para não falar na assistência à saúde, tão precária a ponto de permitir que pacientes morram à míngua nas macas de hospitais à espera de um leito para internação.

Mas o fisiologismo contra o qual Bolsonaro se elegeu falou mais alto. O presidente cedeu ao pragmatismo e preferiu não comprar briga com Rodrigo Maia, que mandou uma mensagem cifrada: “ Ele veta o que ele quer. A gente vota a pauta da Câmara, a do Senado. Vão retaliar, o que posso fazer?”, disse ele em um encontro com jornalistas.  

É bom lembrar que na eleição de 2018, a mesma que escolheu Jair Bolsonaro para governar o país, o dinheiro do Fundo Eleitoral foi de R$ 1,7 bilhão. Agora, sobe para R$ 2 bilhões em uma eleição municipal. Na passada, os eleitores votaram em governador, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente da república. Este ano, os eleitores escolherão somente vereadores e prefeitos, ainda assim o pleito custará bem mais ao bolso do contribuinte.

O Fundo Eleitoral é uma verba pública destinada aos partidos em ano de eleição. Quando a política partidária começa a ter mais importância que outros setores da administração é sinal que tem algo errado na gestão pública. Pobre Brasil, pobres brasileiros!