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Ibaneis de olho no Planalto

Em passagem por Teresina ontem à tarde, quando participou de um encontro na sede do MDB, o governador de Brasília Ibaneis Rocha aproveitou o palanque para falar mal do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. A antipatia de Ibaneis por Moro já é de conhecimento público. O que talvez não seja tão conhecido são os motivos que os afastam.

O governador de Brasília alega que o desentendimento com o ministro se dá pelo fato da transferência do líder do PCC, o Marcola, para o presídio federal em Brasília. Na verdade, os interesses políticos falam mais alto. O secretário de segurança nomeado por Ibaneis para sua equipe,  Anderson Gustavo Torres, é notório desafeto de Moro e vem causando intrigas no Planalto. Foi dele a ideia da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e os secretários de segurança dos estados sem a presença do ministro.  Foi dele também o incentivo para a proposta  de desmembrar a Segurança do Ministério da Justiça, de olho na pasta que poderia ficar à sua disposição. Ideia prontamente abortada assim que Moro mencionou a intenção de deixar a equipe, o que seria péssimo para a imagem do governo, que não conta com uma popularidade tão em alta assim, a ponto de abrir mão do seu integrante mais popular.

Ibaneis, que nasceu em Brasília, mas passou a infância do Piauí, sonha em suceder Jair Bolsonaro no Planalto. Em público, admite que o atual presidente deve se candidatar à reeleição e lança os olhos para 2026. Por seu alto índice de popularidade, maior que o do próprio presidente, Moro seria um obstáculo aos planos políticos do governador. Daí a razão de tanta implicância e da tentativa de miná-lo, sempre que tem oportunidade.