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A natureza não perdoa

Ontem foi um dia atípico. Parecia até que estávamos em Belo Horizonte, a capital brasileira mais castigada pela chuva neste início de ano. Choveu ininterruptamente durante toda a tarde em Teresina, alcançando um volume de 74 mm de precipitação pluviométrica. Água suficiente para provocar transtornos por toda a cidade. É claro que foi um volume muito acima da média, mas é fato que a cidade não está preparada para receber uma chuva de maior intensidade. A capacidade de escoamento das águas pluviais é muito limitada e o que se vê são ruas e avenidas completamente inundadas.

A obra de uma galeria, essencial para a drenagem das águas, é cara e incômoda. A galeria da zona leste, por exemplo, quando concluída, deve custar R$ 49,4 milhões  e alcançar uma extensão de 7km. Por enquanto, foram construídos apenas 1,5km da obra que começou a ser feita ainda em 2011.

Hoje de manhã, uma equipe de técnicos da SDU Leste está percorrendo a região para identificar áreas vulneráveis e desobstruir bueiros. A bem da verdade, o que se vê nas ruas em dia de chuva é responsabilidade do poder público, mas também da falta de educação da população que coloca lixo nas ruas e acaba entupindo os bueiros e galerias.

A decisão política de investir em galerias não é fácil, mas imprescindível, especialmente nos grandes centros urbanos, onde o solo está praticamente todo impermeável e a água não tem como ser absorvida. Outro ponto importante da gestão pública é a necessidade de estabelecer critérios rigorosos para a construção de grandes empreendimentos imobiliários. Muitos condomínios são construídos sem a preocupação de construir junto os bueiros e galerias e, pior, algumas vezes, interrompendo o curso natural de um riacho. A natureza é implacável.  Quando a ação do homem não a respeita, o próprio homem paga um preço alto por isso.