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Quem perde na queda de braço entre servidores e Estado

A queda de braço entre servidores e governo está só começando. Os professores e demais servidores da educação brigam por um aumento efetivo de salário, mas o governo deve apenas incorporar ao salário, de forma legal, o que esses profissionais já recebiam na forma de auxílio alimentação. A diferença é que agora será estendido aos aposentados e inativos da categoria. Resultado: os professores decidiram continuar em greve para desespero dos alunos que ainda não tiveram um dia de aula este ano.

Quanto aos demais servidores, o aumento de pouco mais de 4%, que segue o índice oficial, será concedido sob a forma de auxílio alimentação. E, mesmo assim, apenas quando o Estado conseguir se libertar da amarra do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece que o Estado não pode ultrapassar 60% da Receita Líquida com despesa de pessoal.

A folha de pagamento, hoje, é um peso considerável nas despesas do Estado. Mas, frise-se, por culpa do próprio Estado que não implementou uma reforma administrativa nos moldes em que deveria ter feito, enxugando órgãos e secretarias e cortando cargos em excesso. Em vez disso, foram mantidas superintendências, fundações e secretarias com sobreposição de funções, em um claro desperdício de dinheiro, apenas para acomodar aliados políticos.

Os servidores não têm culpa do inchaço da máquina pública e, portanto, merecem receber o aumento para, pelo menos, acompanhar a inflação. É preciso pagar decentemente para poder cobrar eficiência do funcionalismo. Do contrário, perdem os servidores e, em última instância, os contribuintes que passam a contar com um serviço de qualidade duvidosa.