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A cidade está inundando. E a culpa é toda nossa.

Foto: Yasmin Cunha

Quem teve de sair de casa hoje cedo sofreu um bocado para atravessar verdadeiros rios formados sobre ruas e avenidas de Teresina. Em alguns trechos, como já é de costume, ficou praticamente impossível trafegar. Esse fenômeno está ficando cada vez mais constante e tende a se agravar em um futuro próximo.

Aí reside uma combinação de dois fatores preocupantes: as mudanças climáticas e a impermeabilização crescente do solo urbano. Nos dois casos, há a presença da mão humana interferindo na ação da natureza. As mudanças climáticas são uma realidade que estão impactando nosso presente e comprometendo mais ainda o nosso futuro. A emissão desenfreada de gases do efeito estufa, os desmatamentos, queimadas, assoreamento dos rios, tudo isso vem afetando o meio ambiente, que começa a se manifestar de forma extrema, tanto na intensidade das chuvas como nos períodos prolongados de estiagem.

Com uma quantidade de chuva muito grande caindo sobre o solo em um curto espaço de tempo, como aconteceu hoje cedo, precisaríamos de mais áreas verdes para absorver todo esse volume de água. Mas, ao contrário disso, o processo de urbanização descontrolado está impermeabilizando quase todo o espaço urbano com concreto e asfalto e a água não tem como ser absorvida. Resultado: inundações e alagamentos que aborrecem e atormentam a vida dos cidadãos.

Este é um problema do poder público, mas também de cada cidadão individualmente. Ao construir qualquer edificação, é preciso lembrar de deixar espaço para um jardim, por pequeno que seja, um quintal, talvez. O que não se pode permitir é  que o concreto soterre a natureza, porque ela, fatalmente, irá cobrar a conta mais tarde. E o mais tarde é agora.