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O inimigo comum

 

O novo coronavírus está conseguindo uma façanha que os líderes brasileiros não haviam conseguido até o momento: suspender, ainda que temporariamente, a polarização irracional entre o nós e o eles, a esquerda e a direita. Agora, o povo brasileiro tem um inimigo em comum: a covid-19. E, pelo menos por enquanto, é para ela que as atenções e preocupações estão voltadas, com justificada razão.

Depois de minimizar o poder do novo coronavírus, alegando que era alarde da mídia, o presidente Bolsonaro finalmente caiu em si, mas isso só depois de um integrante da sua equipe mais próxima ser infectado pela doença. Precisou que o vírus chegasse ao Planalto para que o governo assumisse a posição que se espera de um chefe da Nação e começasse a adotar providências para conter a propagação da doença no país.

Ainda ontem à noite, o presidente ponderou que não era momento de formar-se aglomerações e que, por isso, as manifestações que haviam sido marcadas para o próximo domingo fossem suspensas. Os protestos, que contavam com o apoio declarado do presidente, eram um claro ato de manifestação contra os poderes legislativo e judiciário. Isso em um momento em que o governo precisa do apoio do Congresso para aprovar medidas urgentes e importantes para a economia do Brasil que, além das dificuldades naturais, ainda tem de enfrentar a crise global que está enlouquecendo o mercado financeiro e paralisando muitos setores, como a indústria do turismo, para citar só um deles.

Os movimentos que estavam à frente da organização da manifestação do dia 15 já emitiram comunicados avisando que eles não irão mais acontecer, o que é bastante prudente diante da ameaça do vírus que já começa a ser transmitido de forma sustentada, sem que a pessoa infectada tenha viajado para o exterior.

É hora de prudência, cautela e planejamento para encarar com serenidade uma ameaça que não se sabe até onde pode ir. E isso deve partir, prioritariamente, do chefe da Nação.