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De cuidadores a pacientes: profissionais de saúde também são vítimas da covid-19

Os profissionais de saúde no Brasil inteiro estão fazendo um esforço gigantesco para atender a um número cada vez maior de pacientes com a covid-19. Por mais que se dediquem, o trabalho não cessa porque a quantidade de novos casos aumenta a uma velocidade impressionante. Ainda assim, eles não desistem. Exaustos, dormem poucas horas, alguns têm crises de choro, outros estão distantes da família com receio de contaminá-la, mas seguem em frente.

O pior é que a proporção entre o número de profissionais e o número de pacientes vítimas do novo coronavírus vai ficando cada vez mais injusta. Além do afastamento natural dos profissionais que se encontram em grupo de risco – os que possuem mais de 60 anos ou apresentam alguma comorbidade – há ainda aqueles que se tornam vítimas da doença que estão tratando.

Só na rede municipal de saúde, 36 profissionais que atuam nos hospitais da capital tiveram que entrar em quarentena porque testaram positivo para a covid-19. São 14 médicos, 3 enfermeiros, 4 fisioterapeutas, 12 técnicos de enfermagem e 3 administrativos. São profissionais que atuam no Hospital de Urgência de Teresina- HUT, Buenos Aires, Satélite, Promorar, Parque Piauí, Dirceu e Maternidade Wall Ferraz. Isso sem falar nos outros profissionais que atuam na rede privada de saúde e que também estão adoecendo.

O risco, mesmo com todos os cuidados adotados e o uso de Equipamentos de Proteção Individual, é grande. Mas eles enfrentam o medo, natural a todo ser humano, e honram o juramento de cuidar de vida com zelo e dedicação. Em troca, não pedem aplausos ou título de heróis, apenas que as pessoas que podem permaneçam em casa para não tornar a rotina de trabalho nos hospitais ainda mais difícil do que já está. E nem isso a população se presta a fazer por quem está arriscando a própria saúde para cuidar da nossa. Na última semana, o número de novos casos da doença aumentou 190,3%. No último dia 3, mesmo sendo um domingo, o índice de isolamento foi de apenas 55%, quando deveria ser de, pelo menos, 70%.

A população parece estar brincando, perigosamente, de roleta russa com a própria vida e com a dos outros.