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A opinião da Sociedade Brasileira de Infectologia sobre uso do Protocolo Covid-19

Depois de ter acesso ao conteúdo do despacho da juíza federal  Marina Cavalcanti Barros sobre a convocação de  uma audiência virtual no próximo dia 19 de maio para tratar do pedido do Ministério Público Federal,  a fim de obrigar a União, o Estado do Piauí e a Prefeitura de Teresina a adotarem o Protocolo Covid-19 para uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus, a Prefeitura de Teresina solicitou a participação da Sociedade Brasileira de Infectologia para dar o embasamento técnico necessário à discussão.

No início da tarde de hoje, o Presidente da SBI, Dr. Clóvis Arns da Cunha, se manifestou, agradecendo a solicitação do Prefeito Firmino Filho e informando que submeterá a solicitação à Diretoria. E adianta que, pela urgência do tema, faz as seguintes considerações:

“O uso de medicações por via oral e de baixo custo, como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, prednisona (corticoide), para o tratamento da Covid-19 são muito atraentes por permitirem seu uso em larga escala, com o potencial de beneficiar inúmeros pacientes.

Porém, do ponto de vista científico, toda medicação, mesmo que já conhecida para outras indicações, como é o caso da cloroquina para malária, hidroxicloroquina para artrite reumatoide e lúpus, ivermectina e nitazoxanida para helmintos (vermes), precisa ser avaliada por estudos clínicos, isto é, avaliação em humanos ( não basta provar sua eficácia in vitro no laboratório) quando se pretende usá-las para uma nova doença, como é o caso da Covid-19. Os efeitos colaterais até então observados nas outras indicações citadas podem ser diferentes na nova doença. E só esses mesmos estudos responderão se determinada medicação é eficaz.

No momento existem, pelo menos, cerca de 1.500 estudos clínicos em andamento no mundo (clinicaltrials.gov) para avaliar potenciais fármacos para Covid-19, nos mais diversos cenários: profilaxia (prevenção), tratamento das formas leve e moderada da doença ( que não necessitam internamento hospitalar), formas grave e crítica (que necessitam internamento hospitalar e em Unidade de Terapia Intensiva), respectivamente.

Infelizmente, os melhores estudos publicados até o momento, que são aqueles que têm grupo de controle, isto é, um grupo de pacientes recebe o “tratamento padrão” sem nenhum medicamento experimental e outro grupo de pacientes recebe o “tratamento padrão + medicamento experimental ou em estudo”, com cloroquina ou hidroxicloroquina associado ou não ao antibiótico azitromicina são DECEPCIONANTES.

Os estudos com corticoide, infelizmente, não só não mostraram benefício, como mostraram MALEFÍCIO.”

O Presidente da SBI diz que nos próximos dias encaminhará a resposta formal da Sociedade.