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Brasil desenvolve teste de sequenciamento genético para novo coronavírus

No dia em que o número de mortes registradas no Brasil em apenas 24 horas chegou a 1.188, o país apresentou uma boa notícia que o coloca na vanguarda em relação ao restante do mundo. Os pesquisadores do Hospital Albert Einstein desenvolveram o primeiro teste genético para detecção do novo coronavírus, com precisão muito próxima de 100%, performance semelhante aos testes já conhecidos do tipo RT-PCR, com a diferença de possuir uma capacidade de análise até 16 vezes maior do que este.

A novidade pode ser o caminho para que o Brasil venha a realizar a testagem em massa da sua população, estratégia defendida pela Organização Mundial de Saúde e por todos os epidemiologistas. Até então, não se sabe ao certo o tamanho da população infectada pelo novo coronavírus por causa da baixa testagem e da sua consequente subnotificação.

Os pesquisadores do Einstein trabalharam  intensamente durante dois meses para desenvolver o novo teste, feito a partir do sequenciamento da Nova Geração, que analisa fragmentos do DNA. Eles conseguiram adaptar a técnica para a leitura do RNA, outra molécula biológica que, junto com o DNA, forma o material genético dos seres vivos. O Sars-Cov 2, o novo coronavírus, assim como a maioria dos vírus, possui apenas RNA.

O exame identifica a presença do vírus no organismo logo no primeiro dia e o resultado pode ser conhecido em apenas três dias. Murilo Cervato, um dos pesquisadores do projeto, diz que a equipe já está trabalhando para diminuir o prazo para a entrega dos resultados. O novo exame é realizado a partir da coleta de saliva ou da cavidade nasal, por meio de um cotonete (swab), e já foi patenteado pelo Sistema Internacional de Patentes dos Estados Unidos.

Outra notícia promissora é que o exame já deverá estar disponível no início do próximo mês. A boa ciência, mais uma vez, se mostra como o melhor caminho para enfrentar a pandemia.