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TCU revela que 8,1 milhões de pessoas podem ter recebido auxílio emergencial indevidamente

Um dos lados perversos da pandemia provocada pelo novo coronavírus é a exacerbação da desigualdade social existente no Brasil. Os mais pobres tornaram-se ainda mais vulneráveis com o avanço da Covid-19. Muitos brasileiros não dispõem das ferramentas básicas para enfrentar a doença, que são água potável e sabão. Outros tantos não dispõem sequer de um teto quando a ordem é para ficarem dentro de casa. E há ainda aqueles que simplesmente não têm o que comer.

É para tentar socorrer essa legião de desassistidos que foi lançado o programa de auxílio emergencial, no valor de R$ 600 por mês. Uma quantia muito pequena, que representa metade do salário mínimo, e que deveria chegar aos informais, autônomos, microempreendedores e desempregados atingidos pela pandemia.

Mas os corredores da burocracia acabaram por promover distorções inadmissíveis em um momento de crise como o atual. O parecer do Tribunal de Contas da União, que deve ser votado hoje, aponta para o risco de 8,1 milhão de pessoas terem recebido o benefício indevidamente, enquanto milhões de brasileiros continuam sem receber qualquer ajuda.

Desde o início do pagamento, as denúncias são frequentes. Já foram identificados brasileiros residentes no exterior que estariam recebendo o auxílio, assim como integrantes das Forças Armadas. Enquanto isso, passados mais de dois meses do início do programa, ainda tem gente com direito ao benefício aguardando a liberação do dinheiro. Tudo o que essas pessoas recebem como resposta é um protocolar “em análise”.

Ainda segundo o TCU, o pagamento indevido do auxílio emergencial representa algo em torno de R$ 3,6 bilhões ao mês. Dinheiro que deixou de ser pago a quem efetivamente está passando fome para cair na conta de quem não precisa. Mais um vexame para a conta do Brasil e para dor dos brasileiros.