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TCU passa a informar números oficiais de mortes por Covid-19

 

Em um curto intervalo de tempo, o Ministério da Saúde fez desaparecer, como em um passe de mágica, 857 mortes. No primeiro balanço divulgado ontem, agora em um horário bem mais tarde que o de costume, o número de mortes nas últimas 24 horas era de 1.382, totalizando 37.312 óbitos  até o momento pela Covid-19. Pouco tempo depois, o número de mortes caiu para 525, fechando o número total em 36.455. Mas a justificativa oficial para o atraso na liberação dos dados não era justamente o de obter uma checagem segura das informações?

O país não assimilou a alteração feita pelo Ministério da Saúde na divulgação dos boletins referentes a novos casos e óbitos da Covid-19.  Em uma pandemia de consequências tão graves como a que estamos vivendo, a transparência é fundamental não só para orientar os gestores na condução do problema como para que a população tenha mais confiança e possa sentir-se mais segura.

No Brasil, além de faltar uma política clara de enfrentamento da doença, da indefinição na nomeação do titular da pasta da saúde – depois da saída de dois ministros durante a crise – também falta clareza nas informações, o que deixa todos em uma zona escura de incerteza sobre o que está acontecendo de fato. Para as famílias que perdem seus entes queridos para a Covid-19, cada pessoa morta é muito mais que um número que aparece e some logo em seguida no painel. É uma vida que se foi, deixando dor e saudade.

O Tribunal de Contas da União já decidiu que vai assumir o papel de reunir as informações oficiais sobre o número de novos casos e de mortes provocados pelo novo coronavírus a partir das informações enviadas pelos Tribunais de Contas dos Estados. No Piauí, o TCE já mantém o Painel Covid-19, lançado em maio, para acompanhar a distribuição dos testes rápidos pelo Estado e o repasse dos recursos da Secretaria de Saúde aos municípios e órgãos do Estado. Agora, deverá acrescentar mais essa informação.