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Menos de 1% da população concentra um terço da riqueza do país

Encerrado o prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda, vem à luz uma amostra do tamanho abissal da concentração de renda no Brasil. Os dados da Receita Federal mostram que apenas 0,07% dos declarantes do Imposto de Renda detêm cerca de 1/3 dos bens e direitos declarados. Parece surreal, mas é a triste realidade brasileira. 

Um terço da riqueza brasileira está nas mãos de menos de 1% da população do país. Essa concentração tornou-se evidente de forma mais acentuada agora, durante a pandemia da Covid-19. Eventos como este tendem a atingir com maior intensidade justamente os mais vulneráveis. E é exatamente o que está acontecendo. 

Até o dia 19 de junho, 63,5 milhões de brasileiros já haviam recebido o auxílio emergencial concedido pelo governo federal para desempregados e profissionais autônomos sem renda por causa da pandemia. Mesmo que se venha a descontar os que receberam irregularmente, é um número muito grande de pessoas que vivem em condições precárias e para quem a quantia de R$ 600 faz a diferença entre ter ou não o que colocar na mesa para comer. 

Combater essa brutal concentração de renda que leva à desigualdade social deveria ser uma das metas prioritárias de qualquer governo. Enquanto houver uma massa de gente sem o mínimo de renda que lhe garanta dignidade não pode haver uma nação que sonhe com prosperidade ou progresso. A arte sempre nos ensina e, como bem canta o grupo mineiro Skank, na música “Esmola”, “Se o país não for pra cada um, pode estar certo, não vai ser pra nenhum”.