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Passando dos limites

A população de Teresina está assustada. E não é para menos. A violência chegou a tal ponto que parece ter sido banalizada, tantos são os crimes que se sucedem, muitos deles à luz do dia, sem qualquer constrangimento. Sair de casa e voltar ileso é hoje quase um lance de sorte, já que os bandidos estão à espreita em cada esquina, esperando o menor descuido dos cidadãos para abordá-los.

Ontem, a semana começou pesada. Ao final do expediente da manhã, uma funcionária do SESC entra no seu carro, na Rua Simplício Mendes, uma das mais movimentadas da cidade, quando três assaltantes a retiram do banco do motorista e a colocam no banco traseiro. Segundo relatos da própria, eles diziam que precisavam do carro para matar alguém que havia assassinado um irmão deles. Pouco tempo depois, soltaram a vítima em um lugar distante e levaram embora o carro, a bolsa e o celular da mesma.

Mais tarde, por vota das 16h, um homem é perseguido na Avenida Maranhão e, logo em seguida, assassinado friamente com dois tiros, à frente de quem passava por ali, como se fosse algo absolutamente comum. Um “acerto de contas” resolvido no meio da tarde, sob os olhares incrédulos de quem trabalha ou circula pelas imediações.

Para completar, à noite, um jovem de 18 anos é executado com mais de 15 tiros no bairro Monte Castelo, no meio da rua. A polícia suspeita que o carro usado neste crime seja o mesmo que foi roubado durante a manhã na rua Simplício Mendes. Tudo isso em menos de 24 horas.

Não podemos nos acostumar com uma situação de barbárie como esta, em que os bandidos seguem suas próprias leis, impunemente, sem se preocuparem sequer se estão sendo vistos ou não. Eles não se dão mais ao trabalho de agir soturnamente, escondidos. E fazem isso porque já perderam o temor à lei.