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Mais da metade dos brasileiros em idade ativa estão sem trabalho

Não foi só a perda imensurável de quase 170 mil vidas que a pandemia trouxe ao Brasil. A Covid-19 também deixou mais de 50% da população economicamente ativa do país sem trabalho. De acordo com os dados da Pnad colhidos no trimestre que vai de junho a agosto, apenas 46,8% dos brasileiros em idade de trabalhar estão ocupados.

Para completar, os dados mostram outra realidade cruel: a da desigualdade social que ainda perdura no Brasil. Entre os que estão sem trabalho, a maioria é formada por pretos, pardos e mulheres. Um segmento da população historicamente penalizado e discriminado.

A pandemia fez com que o país perdesse 12 milhões de postos de trabalho. E isso em um momento já particularmente difícil para os brasileiros que estavam começando a se recuperar de um período de recessão. Por enquanto, o auxílio emergencial do governo federal vem segurando as pontas da população que vive em extrema pobreza, mas esse auxílio tem prazo de validade e ele acaba agora em dezembro.

Embora setores do governo estejam convencidos da necessidade da sua permanência – mais por critérios políticos do que sociais – ainda não há fonte de recursos assegurada para bancá-lo pelos próximos meses. Uma alternativa seria furar o teto dos gastos públicos, que resultaria em um cenário desastroso do ponto de vista da confiança no país. A outra, defendida pela equipe do ministro Paulo Guedes, estaria no aumento de impostos, o que gera antipatia na população e tem dificuldade até mesmo de passar no Congresso. O país está em uma encruzilhada e sem perspectivas positivas a curto prazo.