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Como o Piauí quase chegou a um novo lockdown

Desde a semana passada, os integrantes do COE estadual vêm se reunindo sistematicamente, preocupados com o avanço acelerado da Covid-19. A taxa de transmissão está crescendo, com a consequente ocupação dos leitos clínicos e de UTI, ultrapassando 90% em alguns casos. O receio dos médicos é de que comece a faltar leitos para os pacientes. E, pior, venha a faltar oxigênio, como está acontecendo em Manaus.

Diante do quadro de gravidade, a opinião médica era de que o Estado precisaria passar por um lockdown para conter a expansão do novo coronavírus. Mas pesou a sensibilidade com a sobrevivência dos setores econômicos, já bastante prejudicados na primeira onda da doença. E, ainda, o fato de que agora já não há mais o auxílio emergencial para socorrer os milhares de desempregados.

Foi com base nessa ponderação, e após uma reunião com líderes representativos dos setores do comércio lojista e de alimentação, que o COE orientou o governo do Estado a determinar uma limitação de horários no comércio, restringindo o funcionamento das lojas de rua ao período das 8h às 17h; e o dos shoppings, das 12h às 21h.

O mais importante ponto levantado pelo COE diz respeito à restrição de horário de bares e restaurantes que, até o dia 21 de fevereiro, só poderão funcionar até as 23h. A partir daí, como explica o médico Vinícius Nascimento, o consumo de bebidas alcóolicas começa a sair do controle e as pessoas vão deixando de lado os cuidados indispensáveis ao controle da doença.

Não é fácil voltar a impor medidas restritivas quando a população já está cansada; e a economia, fragilizada. Mas é necessário, se não quisermos repetir aqui o que está acontecendo em Manaus. E é sempre bom lembrar que a própria população que reclama dessas medidas é em boa parte responsável por elas, quando deixa de seguir o distanciamento social, participando de festas e aglomerações desnecessárias.