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Entenda por que os ônibus continuam parados em Teresina

O sistema de transporte público de Teresina precisa ser revisto. Fruto de um longo e exaustivo processo de licitação, o sistema que opera atualmente está com déficit financeiro. As contas simplesmente não fecham. O cálculo do valor da tarifa é feito com a soma de todas as despesas (salários dos trabalhadores, combustível, pneus, impostos, quilômetro rodado) dividida pelo número de passageiros pagantes. De acordo com o reajuste nesses insumos, o valor da tarifa é reajustado anualmente. No entanto, a Prefeitura firmou um acordo judicial para congelar a tarifa em R$ 4, subsidiando as empresas com o valor equivalente ao que excedesse essa quantia.

Assim, o transporte público vinha se mantendo. Aí veio a pandemia e o número de passageiros caiu drasticamente. Na prática, isso significa que os mesmos custos passaram a ser divididos por um número menor de pagantes. A grosso modo, é como em uma conta de restaurante. Se você dividir a conta por quatro pessoas, cada um paga um quarto do valor e não sai tão caro para ninguém. Se a mesma conta é dividida por apenas duas pessoas, cada uma vai pagar bem mais no final.

Como se não bastasse esse prejuízo em função do menor número de passageiros pagantes, a Prefeitura deixou de fazer o repasse para a compensação acertada com o congelamento da tarifa. As empresas, então, deixaram de pagar o plano de saúde e o vale alimentação dos trabalhadores e estes entraram em greve. Uma greve sofrida porque atinge justamente os piauienses mais pobres que dependem do transporte público para irem ao trabalho ou a qualquer outro lugar.

A Prefeitura precisar dar uma resposta satisfatória para pôr fim a esse movimento que já vem se arrastando para além do suportável.