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Comissão aprova fim do segundo turno em eleição majoritária

Enquanto o mundo inteiro está preocupado com o avanço da variante Delta sobre os casos de Covid, a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou ontem, na calada da noite, um relatório com mudanças na legislação eleitoral que, entre outras coisas, acaba com o segundo turno para eleição de cargos majoritários (presidente, governadores e prefeitos). Pelo projeto, os eleitores votariam em cinco nomes por ordem decrescente de preferência.

O relatório aprovado é a base para a implantação de um regime conhecido por Distritão, só adotado hoje em quatro países, a saber: Afeganistão, Ilhas Pitcairn, Vanuatu e Jordânia. É o primeiro ponto a se pensar. Que regime é este que não é adotado em nenhuma das grandes civilizações democráticas? Que modelo político queremos implantar no Brasil? A que interesses ele serve?

Na comissão especial o projeto foi aprovado por 22 votos a favor e 11 contra. Ele ainda vai ser submetido ao plenário da Câmara e, depois, do Senado.

Impressionante como as prioridades votadas na Câmara estão dissonantes da realidade das ruas e das necessidades do povo brasileiro. Estamos em meio à uma crise hídrica, com reflexos na produção de energia; vivemos uma pandemia sem precedentes no último século; as mudanças climáticas estão promovendo efeitos desastrosos sobre a vida no país com eventos extremos de seca e chuva. E em meio a isso tudo, alguns parlamentares querem implantar um regime que desidrata os partidos políticos para incentivar candidaturas avulsas de populistas ou celebridades.