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Vacina da Oxford pode gerar um imunizante contra o câncer

Depois de causar tantas dores e mortes – só Brasil já são quase 600 mil – a Covid-19 pode deixar um legado positivo para a ciência e para a humanidade. É o desenvolvimento de uma vacina contra o câncer. As experiências da vacina de Oxford, em parceria com a Astrazeneca, podem abrir caminho para a criação de um imunizante contra o câncer.

Os primeiros testes realizados em camundongos apontaram que a vacina pode aumentar os níveis de células que combatem o câncer, melhorando a eficácia do tratamento contra a doença.

A tão sonhada vacina utiliza a mesma tecnologia para combater o coronavírus, chamada de vetor viral não replicante. Esse mecanismo induz a resposta do sistema imunológico e aumenta a proteção contra a doença. De acordo com os estudos realizados até agora, a vacina apresentou resultados positivos quando utilizada de forma combinada com a imunoterapia, uma técnica que leva o próprio organismo do paciente a combater as células cancerosas.

A imunoterapia é uma promessa no tratamento do câncer, mas nem sempre é indicada porque ela precisa que o paciente apresente células corretas do sistema imune – as CD8+ - que atacam o tumor. Acontece que nos pacientes oncológicos essas células costumam ser reduzidas justamente pela ação do tumor. E essa seria a ação da vacina, que induziria a fortes respostas de células específicas da defesa do organismo.

Segundo a Universidade de Oxford, a próxima etapa da pesquisa é a realização de um ensaio clínico de fases 1 e 2 da vacina contra o câncer em combinação com imunoterapia. O estudo inicial será feito com 80 pacientes com câncer de pulmão e deve ser realizado ainda este ano.

O médico oncologista Stephen Doral Stefani, do Rio Grande do Sul, diz que podemos ter esperança, mas é cauteloso. “Precisamos calibrar a expectativa. Essa estratégia pode reduzir risco de alguns tipos de câncer. É uma boa notícia, mas não deve chegar como solução única para todos os tipos de câncer. Seria como a vacina do HPV que reduz o câncer de colo de útero”, diz.

 

Dr. Stephen Doral Stefani