Cidadeverde.com

Brasil foi polo para mutações do Coronavírus, diz estudo

Sem um comando único que determinasse medidas eficazes de isolamento e distanciamento social, o Brasil acabou se tornando um celeiro para mutações do novo coronavírus no mundo. A conclusão foi publicada no periódico Viruses, por um grupo de seis cientistas brasileiros. Eles estudaram a distribuição das mutações nas 5 regiões brasileiras de março do ano passado até junho deste ano.

O estudo mostra que alguns indivíduos são considerados superespalhadores. Eles propagam o vírus com maior facilidade. Daí porque “as variáveis comportamentais e ambientais são relevantes para a infecciosidade, aumentando a transmissão”, explicam os pesquisadores.

No Brasil, uma nova linhagem de mutação foi encontrada a cada 278 amostras, um número bem alto se comparado com o do continente europeu, onde foi encontrada uma nova linhagem a cada 1.046 amostras. “Mutações virais são eventos probabilísticos devido à transmissão aleatória de um vírus entre pessoas infectadas”. Quanto maior a circulação de pessoas com o vírus, maiores as chances de elas virem a ocorrer. Como o Brasil não adotou uma política de saúde nacional de isolamento, o que ocorreu em outros países, o vírus circulou mais facilmente por aqui.

Em janeiro deste ano, a P.1, também conhecida como Gamma, tornou-se predominante. Surgida inicialmente em Manaus, ela rapidamente se espalhou por todo o país e passou a dominar os casos de Covid. Sua prevalência está ameaçada agora pela variante Delta, originada na Índia e já reconhecida pela Fiocruz como presente  também no Piauí.