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DESCONECTADOS DO MUNDO

O fenômeno da internet é novo. Começou a ganhar corpo na década de 90 e, rapidamente, espalhou-se  como essas boas novidades que se irradiam feito febre entre as pessoas. Bastou pouco tempo para que a rede mundial de computadores começasse a desenvolver diferentes formas de uso: redes sociais, e-mails, notícias on line e WhatsApp.

Hoje, um ser humano que não esteja conectado ao WhatsApp é considerado um homem das cavernas, alguém totalmente alheio ao mundo moderno. Quase um E.T. Além dos contatos individuais, surgiram também os grupos. Muitos, vários, de diferentes origens. São grupos de família, de trabalho, de amigos, de academia, e de tudo mais que se possa imaginar.

Pois  nesta tarde, os internautas foram surpreendidos com a notícia que teve o impacto de um atentado para quem não desgruda do aplicativo mais popular dos smartphones. Por decisão do juiz Luis Moura, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, foi expedido mandado judicial ordenando a suspensão do aplicativo WhatsApp em todo o território nacional.

Súbito, todo mundo entrou em choque. Como sobreviver sem essa forma de comunicação instantânea, capaz de nos manter informados em tempo real sobre tudo o que está acontecendo  nos quatro cantos do mundo? A geração Y , que não vive sem estar conectada um só minuto, de repente começou a procurar os sites de notícia para saber o que estava acontecendo. Que tipo de meteoro havia se chocado com a Terra para suspender o aplicativo?

Em conversa com o Dr. Luis Moura, procurei entender o motivo de tal decisão. Educadamente, ele informou que tratava-se de um processo criminal sigiloso e que, portanto, não poderia entrar em detalhes. Indaguei se ele havia imaginado a repercussão dessa decisão, parando o WhatsApp em todo o Brasil. Afinal de contas, esse aplicativo, entre outras funções, também é usado como instrumento de trabalho, dado a sua instantaneidade e gratuidade. O juiz me explicou que ao descumprir uma decisão judicial, que se arrasta desde 2013, a empresa responsável está sujeita às sanções da lei, como qualquer outra, independente dos desdobramentos que possa causar." É uma questão de soberania", disse-me o Dr. Luis. Decisão de juiz é para  ser cumprida, todo mundo sabe disso. Mas nesse caso, como afeta todos os cidadãos, mesmo os que não estão envolvidos com o processo em questão, a gritaria é geral.

Dá mesmo para imaginar o mundo, ainda que seja por curto espaço de tempo, sem um dos aplicativos mais populares? O mesmo que faz os pais monitorarem o paradeiro dos filhos, que serve para marcar encontros e desencontros, obter informações de forma rápida, enviar broncas ou mensagens amorosas?  Passar tarefas de trabalho? Compartilhar novidades? É difícil. Tecnologia tem disso. Antes de ser inventada, todo mundo vive muito bem sem a novidade. No entanto, depois que a população se apropria, já não consegue mais desgrudar um só minuto do novo recurso . Basta acabar a bateria do celular para o dono do mesmo surtar.

Por correr em segredo de justiça, não dá para avaliar os motivos que levaram o juiz a tomar medida tão radical. O que se questiona é o fato de a decisão punir, com isso, não apenas a empresa que tem o controle do aplicativo, mas todos os usuários que já incorporaram o aplicativo como ferramenta para facilitar a comunicação e simplificar a vida, encurtando distâncias e eliminando a barreira do tempo.