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CÂMARA TOUR

O Congresso brasileiro não cansa de nos surpreender. Negativamente. Todos os noticiários dão conta de um ano de grave crise financeira. As dificuldades são muitas e não param de crescer. Aumento no valor dos impostos, aumento na cotação do dólar, queda na bolsa de valores, inflação acima da meta, queda na arrecadação da receita ( pelo quarto mês seguido), baixa na produção industrial, tudo isso somado deveria provocar ações de contenção e austeridade dos nossos parlamentares, certo? Errado!

Para os ilustres deputados que ocupam a Câmara Federal, dificuldade financeira é algo bem distante da realidade vivida em seus refrigerados gabinetes. Algo que só acontece lá nas suas bases eleitorais, nem sempre acompanhadas ou atendidas por eles.

Neste ano de retração, ou recessão como queiram chamar os economistas, a Câmara Federal resolveu aumentar os gastos com os deputados em R$ 146,5 milhões. O reajuste irá acontecer a partir do mês de abril. Enquanto os demais trabalhadores brasileiros não sabem sequer se vão conseguir manter seus empregos, ou se o salário vai dar para pagar todas as contas no final do mês, os parlamentares só aumentam as despesas com eles próprios, como se vivessem em uma realidade descasada do restante do país.

Agora, não satisfeitos com todas as mordomias a que têm direito, resolveram criar mais uma para satisfazer as madames. Cada parlamentar já recebe uma cota para despesas com passagens aéreas, cujo valor depende da distância do Estado de origem. Não satisfeitos, os cônjuges também terão direito a passagens aéreas para se deslocar do Estado natal a Brasília e vice-versa.

Pense aí, você que fica economizando dinheiro e procurando tarifas promocionais na internet, ou que junta milhas em todas as compras para ter direito a andar de avião:  o que você economiza para pagar a própria passagem vai ser utilizado para pagar as passagens das senhoras esposas e dos senhores esposos de quem ocupa uma cadeira na Câmara Federal.

O Deputado Eduardo Cunha alega que a Casa não fará despesa extra, mas remanejará recursos de outras destinações para pagar o mimo aos cônjuges. Você também acha que essa conversa é pura enrolação? Pois você não está sozinho.

Os brasileiros já estamos cansados de sustentar a mordomia dos nossos parlamentares, que são ágeis para defender seus interesses, mas se movem a passos de  tartaruga para votar as reformas necessárias ao bom funcionamento do país, como a reforma tributária, por exemplo, e tantas outras matérias importantes que mofam nos gabinetes de Brasília.

Essa discrepância entre o que pensam e como vivem os deputados brasileiros e os seus eleitores está chegando ao limite do insuportável. O que falta agora é a indignação verbal, ouvida em todas as esquinas do país, chegar também às urnas.