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POR QUE INVESTIR NO SALIPI

O Salão do Livro do Piauí – SALIPI – foi uma dessas ideias luminosas nascidas de um punhado de quixotes, que deu certo e frutificou. Até tinha tudo para não vingar. O projeto não passava de um sonho gestado por professores apaixonados por leitura, mas sem recursos para bancá-lo, como até hoje permanece. Mas paixão é mesmo um sentimento que não se intimida com dificuldades. Tanto é que o SALIPI chega este ano à sua 12ª edição, já consolidado como o maior evento cultural do nosso Estado. O projeto, que começou pequeno e acabrunhado, cresceu e já encontrou uma noiva, formando um casamento perfeito entre a sede do saber e a produção literária. A noiva, no caso, é a Universidade Federal do Piauí, que resolveu unir-se em matrimônio, espera-se indissolúvel, com o jovem SALIPI, desde o ano passado. Ao abrir o espaço Rosa dos Ventos para abrigar o Salão do Livro, a UFPI estende os braços à comunidade e abre as portas para o conhecimento que vem de fora, ao mesmo tempo em que apresenta a sua produção científica. É uma troca de saberes altamente proveitosa tanto para a comunidade acadêmica como para a sociedade. E assim deve mesmo funcionar uma instituição de ensino superior: extrapolando os limites da sala de aula e permitindo esse saudável intercâmbio científico/cultural. O Salão também ganha quando ocupa um lugar que já abriga um público consumidor de livros. Professores e alunos são, ou deveriam ser, os maiores consumidores dos produtos expostos no SALIPI. A aproximação entre livros e leitores é natural em um ambiente acadêmico. E para completar, o espaço dispõe de toda a infraestrutura necessária para oferecer conforto e segurança aos freqüentadores. Além de estacionamento, há segurança, área suficiente para os expositores, sombra, auditório, cine-teatro, caixas eletrônicos, enfim, o lugar certo para o salão acontecer. A Universidade já está se programando para o lançamento de vários títulos editados pela instituição com o selo EDIUFPI, editora criada em 1993 para estimular a produção acadêmica e promover a difusão do conhecimento. Este ano, o SALIPI faz justa e merecida homenagem ao historiador Monsenhor Chaves, figura de destaque na religião e nas letras. O evento já está programado para o período de 5 a 14 de junho. Mas apesar da sua importância, até hoje os seus organizadores encontram dificuldades para bancá-lo e precisam correr com o pires na mão em busca de patrocinadores. Seria bom que governo e iniciativa privada reconhecessem a grandiosidade do Salão do Livro e decidissem investir generosamente na leitura como forma de combater o atraso do Estado. Afinal, a educação ainda é o caminho mais seguro para chegarmos ao sonhado desenvolvimento.