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A ÚLTIMA FLOR DO GÊNERO

Às vésperas das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, o Congresso brasileiro aprovou uma lei que classifica como crime hediondo a violência praticada contra mulheres, também chamada de feminicídio. Demorou a acontecer, mas ainda assim a lei é benvinda. A violência praticada contra pessoas do sexo feminino é inadmissível, mas, infelizmente, uma realidade que persiste no século XXI. E o que é pior, muitas vezes ela é cometida pelos próprios parceiros ou parentes, ou seja, a agressão não vem de um sujeito estranho, mas de alguém bem próximo à vítima. E, ao contrário do que se imagina, não está restrita aos grotões da periferia, mas também faz parte do universo das classes sociais mais abastadas, porque o que leva um homem a agredir sua companheira não está necessariamente ligado à sua condição social, mas ao sentimento de posse que ele supõe ter sobre a mulher que está ao seu lado.

Com o aumento no rigor da pena, é possível que as estatísticas de violência contra a mulher venham a diminuir, já que a impunidade é um combustível perigoso para quem pratica crimes de qualquer natureza.  Tanto é que, com a adoção da Lei Maria da Penha, houve uma redução de cerca de 10% no número de homicídios domésticos contra mulheres. São conquistas pequenas que precisam avançar até que esse tipo de brutalidade seja completamente eliminado da sociedade.

Muitas mulheres ainda sentem medo de denunciar seus agressores, uma vez que nem sempre elas podem contar com a proteção do Estado. A estrutura para o amparo às vítimas desse tipo de crime é precária. Em todo o Piauí, existem apenas oito delegacias especializadas de proteção à mulher, três delas situadas aqui na capital. É um número bastante limitado para o universo de atrocidades praticadas contra as piauienses de norte a sul.

Nestas homenagens pelo dia 8 de março, mais uma vez, as floriculturas irão faturar um bom dinheiro com a venda de rosas a serem distribuídas entre as mulheres. No entanto, as pétalas mais aguardadas são as que compõem a flor do respeito pela dignidade humana, independente do gênero. A lei aprovada pelo Congresso, e que segue agora para a sanção presidencial, é um bom adubo para esse canteiro.