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A FORÇA É PASSAGEIRA

A Secretaria de Segurança montou uma grande operação, em conjunto com as polícias civil, militar e rodoviária federal, para desmontar um ponto de venda de drogas que atendia pessoas de alto poder aquisitivo na zona leste. A operação resultou em apreensão de armas e drogas, além da prisão de sete pessoas. É uma resposta ao apelo da sociedade que clama por medidas urgentes  e eficazes para o combate à violência que se alastrou em nosso Estado, especialmente na capital.

O trabalho contou com o aparato da Força Nacional, que foi convocada pelo Governador Wellington Dias logo no início do mandato. As imagens renderam grande cobertura na mídia e causaram boa impressão. Mas não podem ser uma ação isolada, caso contrário será apenas mais um fato midiático. As operações como a de ontem são necessárias, sim. E têm até um efeito psicológico sobre a população. No entanto, para garantir a segurança perdida, o trabalho a ser feito deve ser contínuo.

Por enquanto, a presença dos homens da Força Nacional reforça essa ideia de que a cidade está mais bem guardada. Mas a pergunta que fica é: E quando eles forem embora? Como o Estado está se aparelhando para resolver um problema dessa grandeza, que envolve vários segmentos?

Se é para dar sequência ao trabalho iniciado, que seja proporcionada a infraestrutura necessária às delegacias. Não dá para se falar em segurança quando existe um município como Cristino Castro, no sul do Estado, no qual a delegacia só abre uma vez por semana, e em um único expediente. Muito menos, quando se chega a uma delegacia, ainda que da capital, sem que haja viatura, telefone ou computador funcionando.

De todas as urgências do Estado, a segurança talvez seja a principal, porque a falta dela compromete a educação, a saúde e o desenvolvimento econômico. Muitas escolas são vítimas de assaltos e roubos, traumatizando professores e alunos e comprometendo o aprendizado destes. Em alguns hospitais de periferia, os profissionais de saúde temem por suas vidas porque também sentem-se desprotegidos. E os comerciantes dos bairros trabalham agora escondidos por trás das grades, lugar que deveria ser dos marginais.

A secretaria de segurança precisa ser fortalecida para que a população sinta-se confiante em sair à rua para  estudar, trabalhar ou simplesmente para vivenciar um pouco de lazer. A rua, a cidade, o Estado precisam voltar a ser do cidadão e não mais dos bandidos.